Vandalismo extingue ônibus
Luciana Pombo e
Michele Muller
De Curitiba
A partir desta semana, os ônibus da linha Interbairros IV não irão mais circular aos domingos, depois das 20h30, entre os terminais de Santa Felicidade e Campo Comprido, em Curitiba. A decisão foi tomada pela Urbs, empresa que gerencia o transporte dna cidade, devido aos atos de vandalismo praticados nos veículos por pessoas que saem da Danceteria Sistema X, em Santa Felicidade. A linha atende cerca de 370 passageiros no final de semana entre as 22h30 e 24 horas, sendo que cerca de 300 são frequentadores do estabelecimento.
Os motoristas estavam se negando a trabalhar nesse horário. Muitos chegaram a ser agredidos pelos homens que saem bêbados dos bailões de domingo, esclarece o diretor da Urbs, Euclides Rovani. Ele diz que todas as semanas os vândalos quebram janelas e assentos dos ônibus, além de desrespeitarem os outros passageiros. Com essa medida, quem sair da Sistema X precisa caminhar cerca de três quilômetros até chegar ao Terminal do Campo Comprido.
A preocupação com a violência e o vandalismo gerados pelas gangues que frequentam danceterias de Curitiba é constante entre os moradores do bairro Santa Felicidade. O servente Nilo dos Santos, 45 anos, disse que evita transitar perto dos bailões durante a noite. Eu não facilito, declarou, ao lembrar que ninguém da família dele tem autorização a passar por esses locais.
A vendedora ambulante Shirley Terezinha dos Santos, 41 anos, vende cachorro-quente em frente à Danceteria Sistema X. Ela disse que convive semanalmente com brigas entre gangues de garotos e adultos com idades entre 12 e 30 anos. A garotada se reúne briga por qualquer coisa, até porque alguém esbarrou ou encarou, contou ela, que já presenciou tiroteios em frente ao local.
Shirley criticou ainda a atuação da polícia e dos próprios seguranças da danceteria. Ninguém faz nada para conter a bagunça. Quando eles saem para a rua, fazem o que querem, afirmou.
Desde o início do ano até agora, foram depredados 415 ônibus em Curitiba. Vinte e cinco por cento dos casos ocorreram depois dos jogos, principalmente em clássicos. Os outros 75% em áreas localizadas nas regiões de bailões. Durante todo o ano passado, foram depredados 2,5 mil ônibus do transporte coletivo da cidade, causando um prejuízo de R$ 375 mil.





