Vandalismo é problema
constante para empresas
Além da falta de higiene adequada, os telefones públicos enfrentam um outro problema, que resulta em grandes prejuízos para as empresas operadoras de telefonia e para os próprios usuários: o vandalismo. Só em Londrina, a Sercomtel gastou nos seis primeiros meses do ano R$ 36.784,00 com a recuperação de telefones vandalizados. No mês de junho, do total de 1.574 orelhões instalados na cidade, 109 foram alvo deste tipo de violência. Para colocá-los novamente em condições de uso, a empresa gastou R$ 7.010,00.
A Sercomtel informou que em aproximadamente 90% dos casos, os vândalos roubam ou danificam o monofone. Já a Telepar, que mantém 29.894 telefones públicos no Estado, afirma que os maiores estragos (75%) são feitos nas leitoras dos cartões, com a introdução de outros objetos (palito, chiclete) e cartões quebrados. ‘‘Cerca de 17% dos atos de vandalismo são praticados no monofone’’, diz Ademir Viotti, gerente da loja da empresa em Londrina. Segundo ele, no mês de junho, 4.136 aparelhos foram inutilizados por vândalos. O custo de recuperação foi de R$ 181.984,00.
Há cerca de seis anos, a Telepar desenvolveu estudos com o objetivo de reduzir o vandalismo praticado contra o telefones públicos. Destes estudos resultaram algumas propostas, entre elas o orelhão viva-voz, concebido pelos londrinenses Adoniro Prieto Mathias e Antonio Roberto Pereira, na época funcionários da empresa. O aparelho criado pela dupla dispensaria o uso do monofone, um dos principais alvos de atos de vandalismo.
Por questões operacionais e o processo de privatização da empresa, o projeto de implantação do telefone viva-voz acabou sendo adiado. ‘‘Para este ano não existe previsão de instalarmos os aparelhos, mas a idéia não está descartada para os próximos anos’’, diz Ademir Viotti.
Adoniro Prieto, um dos criadores do novo modelo de telefone, explica que a idéia se baseia na transferência das cápsulas de recepção e transmissão de voz para dentro do aparelho, suprimindo o monofone. ‘‘Funcionaria como um interfone’’, exemplifica. Segundo Prieto, justamente por dispensar o conjunto do monofone, a fabricação do telefone viva-voz sairia mais em conta que o modelo tradicional, que custa em média R$ 2 mil.
De acordo com a assessoria de comunicação da Sercomtel, a empresa não tem interesse em instalar este tipo de telefone em Londrina. Um dos motivos seria a falta de privacidade para o usuário, já que quem estiver por perto pode ouvir a conversa. Prieto acredita que isto não é problema. ‘‘A maioria das conversas em orelhões não é sigilosa. Além disso, a idéia não é suprimir os telefones tradicionais, mas apenas oferecer mais uma opção às pessoas preocupadas com a questão da higiene.’’ (S.L.)

SERCOMTEL
- R$ 36.784,00 foi o valor gasto no primeiro semestre para recuperar orelhões
-Londrina tem 1.574 telefones públicos instalados na cidade
-109 telefones públicos foram alvo de vandalismo em junho. Para recuperá-los foram gastos R$ 7.010,00.
-Em 90% dos casos, os vândalos roubam ou danificam o monofone

TELEPAR
-A Telepar mantém 29.894 telefones públicos no Estado
-75% dos estragos são feitos nas leitoras dos cartões, com a introdução de outros objetos e cartões quebrados
-17% dos atos de vandalismo são praticados no monofone
-4.136 aparelhos foram inutilizados por vândalos no mês de junho
-R$ 181.984,00 foi o custo da recuperação

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