Vandalismo deixa alunos sem aula
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quinta-feira, 29 de julho de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Os 400 alunos de 6 a 8º série da Escola Estadual Gabriel Martins, na Zona Oeste de Londrina, encontraram os portões da escola ''trancados'' na manhã de ontem, quando chegaram para as aulas. Segundo a diretora do colégio, Glória Casarim Sodré, quase todas as portas que dão acesso às salas e à administração foram vedadas com cola. Para evitar maior confusão os alunos foram dispensados. É a sexta vez neste ano que o problema ocorre.
Segundo o chaveiro Luis Augusto Gonçalves, o responsável pelo ato colocou um arame com cola no cilindro da fechadura (tambor). ''Isto impossibilita que as chaves entrem. A pessoa (ou pessoas) sabe muito bem o que fez'', explicou Gonçalves. Ele relatou que esta é a terceira vez que ele é chamado no mesmo colégio para trocar os trambores, mas a diretora afirmou que a situação já ocorreu seis vezes neste ano. ''Antes eles fechavam algumas portas e a gente conseguia resolver rápido, mas hoje foi quase tudo'', relatou Glória. ''Somente o portão de entrada da residência do caseiro não foi danificado'', explicou Glória. A troca dos 14 cilindros ficariam em aproximadamente R$ 500,00.
Enquanto, a direção tentava resolver o problema, os alunos ficaram na frente da escola. ''Eu me sinto prejudicada, pois o andamento das aulas é interrompido'', disse a aluna Sthefani da Silva, de 13 anos. Questionados sobre a autoria do ato, todos os alunos afirmavam que não desconfiavam de ninguém. ''Não sei se é aluno, mas isso já aconteceu outras vezes'', afirmou a estudante Camila Lemos, de 12 anos.
Mas o vandalismo na escola não para por aí. Os próprios alunos comentaram que os vidros das janelas são constantemente quebrados, os muros pichados e até carros de professores já foram riscados. A diretora do colégio confirmou a situação e disse que não havia acionado a polícia antes pois conseguia contornar o problema. ''Em outras ocasiões chegamos a colocar os alunos na biblioteca ou no pátio para terem aula. Mas desta vez vamos registrar queixa na Polícia'', garantiu Glória. A queixa foi registrada no 3º Distrito Policial. Ela declarou que a escola geralmente é fechado por volta de 19h30, após a limpeza.
A merendeira Maria Elismar Martins, que também é a caseira, contou que por volta de 6h30 o marido dela foi abrir a porta da cozinha para pegar outras chaves e detectou o problema. A porta teve que ser retirada, mas só depois eles perceberam que quase tudo estava vedado. Elismar disse que não ouviu barulhos estranhos à noite.''Os alarmes ficam só na área administrativa'', explicou a diretora.
Após muitos gastos, a presidente da Associação de Pais e Mestres (APM), Sônia Regina Lemos, já pensa em utilizar o dinheiro das arrecadações para colocar câmeras de vídeos, vigias ou erguer o muro. ''Esse dinheiro seria para benfeitoria dos alunos.'' Ela contou que no mês passado foram gastos R$ 240,00 no chaveiro, sem contar a reposição de vidros.
O chefe do Núcleo Regional de Ensino (NRE), Rony Alves, esteve no colégio e considerou a possibilidade de utilizar o ''fundo rotativo'', dinheiro para emergências, para colaborar com a escola. ''Vou esperar eles decidirem que atitude tomar e depois vemos com quanto dinheiro poderemos ajudar'', disse Alves. Ele afirmou que o responsável por este ato de vandalismo é um irresponsável e não sabe que está afetando toda a sociedade. O valor do fundo rotativo pode chegar até R$ 7 mil.


