Vandalismo custa R$ 1 milhão por ano
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de outubro de 1998
Paulo Grein 
Especial para a Folha
Quebrar lâmpadas, telefones públicos, placas de sinalização, ônibus e estações-tubo é uma brincadeira que, além de ser de mau gosto, causa prejuízos milionários aos cofres públicos e aos contribuintes. O vandalismo causa prejuízo de cerca de R$ 1 milhão por ano para a prefeitura de Curitiba. Para a Telepar, o valor atinge os R$ 3 milhões por ano.
Os prejuízos são maiores quando se reúnem grandes concentrações de pessoas, como nos jogos de futebol. Nos dois últimos jogos do campeonato paranaense de futebol, realizados em junho deste ano, quase 70 ônibus foram depredados, totalizando prejuízo de cerca de R$ 125 mil.
Segundo o diretor de infra-estrutura viária da Secretaria de Obras de Curitiba, Emiliano Seleme, apenas em iluminação pública, sinalização de trânsito, semáforos e abrigos para ônibus, a prefeitura gasta em média R$ 62 mil todos os meses por causa do vandalismo, dinheiro suficiente para construir uma escola de 500 metros quadrados por mês.
Para Seleme, o problema se agrava quando se reúnem multidões, como jogos de futebol e bailões. Sempre que se aglomera muita gente o vandalismo começa, destruindo o que vier pela frente. Em pouco mais de um ano, a secretaria gastou mais de R$ 1,2 milhão recuperando equipamentos públicos destruídos por vândalos. É muito dinheiro para ser jogado fora, se queixa Seleme.
Proprietário de um bar em frente ao estádio Couto Pereira, Álvaro Pereira Martiniano confirma: temos problemas em todos os jogos e duas vezes tive o bar destruído em confrontos entre torcedores e policiais.
Pereira conta que foi preso duas vezes com a esposa tentando proteger o estabelecimento. A polícia também se excede às vezes, reclama.
Antônio Gláucio Bruniera, dono de uma panificadora instalada em frente ao bar de Pereira, diz que é obrigado a fechar as portas em dia de jogo. Assim que o jogo começa eu fecho as portas e vou para casa.
Bruniera conta que sempre teve problemas com vandalismo e que sua panificadora já teve vidros quebrados, já foi invadida e saqueada. Tem gente que usa o jogo como pretexto para fazer baderna, afirma Bruniera.
Segundo informações da Urbs, a cada jogo de futebol pelo menos dois ônibus são quebrados por vândalos.
Nos dois jogos finais do último campeonato paranaense 68 ônibus foram apedrejados, somando prejuízos de cerca de 125 mil reais.
As estações-tubo são alvo frequente dos vândalos. Segundo a Urbs, entre agosto e outubro do ano passado eram quebrados mais de três vidros por dia. Para se ter uma idéia do prejuízo, basta saber que cada vidro das estações-tubo custa cerca de R$ 270.
Telefones públicos também são alvo constante dos depredadores, e causam prejuízos de R$ 3 milhões todos os anos, segundo a Telepar. Segundo a companhia, cerca de 30% dos telefones públicos que apresentam algum defeito foram alvo de vandalismo.
Nem sempre os aparelhos são trocados, a maioria deles é consertada no próprio local. Mesmo assim o prejuízo pago pela Telepar é de 3 milhões de reais todos os anos nas regiões do Estado cobertas pela empresa.
Considerando-se que cada telefone custa em média 3 mil reais, conclui-se que com o dinheiro dispendido com o vandalismo seria possível instalar todos os anos mil telefones públicos novos.
Outro fator preocupante para a administração pública e também para as empresas que acabam tendo prejuízo com o vandalismo é que esta prática está crescendo a cada dia que passa. É só observar as ruas para flagrar a mudança de comportamento e seus efeitos.


