Professores e alunos da Escola Estadual Professor Lauro Gomes da Veiga Pessoa, no Conjunto Maria Cecília (Zona Norte de Londrina), viveram momentos de terror na noite de quarta-feira. Um grupo de alunos provocou atos de vandalismo. Vidros das janelas foram quebrados, carteiras destruídas, livros rasgados e peças do banheiro arrancadas. Nas salas de aulas as carteiras foram jogadas e enroscadas nas janelas. Apenas a sala de computadores foi poupada. Os alunos ainda foram até o estacionamento, onde carros de professores foram riscados, amassados e tiveram os vidros quebrados. Atos de vandalismo também aconteceram ontem de manhã, no Colégio Estadual Olympia de Moraes Tormenta.
Segundo os professores, a ação violenta dos alunos durou cerca de 20 minutos e se estendeu pela rua em frente à escola, onde um telefone público foi destruído e uma escola vizinha, Colégio Estadual Ubedulha C. de Oliveira, apedrejada. A Polícia Militar foi chamada. Ontem pela manhã, os alunos foram dispensados. Dois policiais da Patrulha Escolar da PM ficaram de plantão.
Esta foi a segunda vez num período de dez dias que os alunos fizeram arruaça na escola. Segundo pessoas da comunidade escolar, anteontem à noite, com a intenção de serem dispensados mais cedo, eles desligaram o relógio de energia e conseguiram que as aulas fossem suspensas.
O incidente aconteceu por volta das 21 horas. A professora de História, Margarete Yasho, contou que estava na sala de aula com os alunos quando o colégio ficou no escuro. ''Na mesma hora começou a gritaria e as carteiras começaram a voar para todo lado. Eu me protegi num canto e pedi que ninguém saísse da sala'', relatou. Segundo a professora, a maioria dos alunos participou do quebra-quebra. ''Temos alunos bons, mas numa situação dessas a maioria acaba se envolvendo.''
Os momentos de terror também foram vividos pela professora de Geografia, Leila Pontes. ''Eu estava na sala desenvolvendo as atividades quando tudo começou. Fiquei no fundo da sala, quando começaram a arremessar carteiras na minha direção. Ainda fui protegida por alguns alunos, mas depois corri e me tranquei no banheiro com outra colega.''
O soldado da Patrulha Escolhar, Aldemar Antônio de Almeida, que mora no terreno da escola e tentou conter a ação dos alunos, também teve a casa apedrejada. Ele afirmou que um grupo de quatro alunos é responsável pelo vandalismo e faz uma revelação assustadora: o líder seria um adolescente de 14 anos. ''Ele comanda e influencia os outros, que acabam destruindo a escola. Pelo menos 60% dos alunos participam dessas ocorrências'', afirmou.
O soldado revelou que na semana passada a casa onde mora teve cerca de 50 telhas destruídas pelo grupo.
Ontem de manhã, pais de alunos foram à escola em busca de informações. Marcelo Ribeiro, que tem dois filhos na escola, afirmou que não tem mais confiança em levar os garotos para a escola. ''Já não é a primeira vez que isso acontece.''
A diretora geral da escola, Luci Leni Breve, confirmou que a atitude violenta dos alunos é generalizada no período da noite, onde 130 estudantes são divididos em quatro turmas da 5 à 8 séries. ''Esses problemas são constantes, mas só acontecem à noite. Esperamos uma providência das autoridades para resolver o problema.''. Em todo o colégio são 850 alunos. Nem a presença da Patrulha Escolar, que segundo os professores é atuante no bairro, consegue impedir os atos violentos.

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