Vampiros emocionais estão à solta
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
Bruno Maffi<br>Reportagem Local 
Parece cena de filme. A mocinha não imagina que o galã por quem está apaixonada é um monstro de presas afiadas, sedento por seu sangue. Ele a envolve e seduz. No momento certo crava seus dentes em sua jugular e corre em busca de outra vítima. Foi usando dessa metáfora que o psicanalista americano Albert Bernstein escreveu um livro que se tornou uma cartilha para as relações de trabalho e afetivas. Ele classificou cinco tipos de comportamentos psicopáticos, que se manifestam corriqueiramente e trazem resultados desastrosos para as vítimas desses novos ''dráculas''.
A psicóloga Fabiane Squarça aponta que os comportamentos típicos de psicopatas são facilmente entendidos se comparados aos de um vampiro, porque são encontrados em pessoas que se apresentam como perfeitas e buscam se beneficiar a qualquer custo dos bens físicos e emocionais das suas vítimas.
''Suas ações são sempre intencionais e planejadas. Ganham a confiança porque sabem se comunicar e conquistam pela inteligência que possuem. Sabem esperar o momento certo para atacar e tem estratégias minuciosas. Bajulam, adulam, ganham espaço.''
Juliano de Souza acredita ter sido atacado por um vampiro emocional. No trabalho, onde era estagiário, conheceu um outro estudante que em poucos dias se tornou seu melhor amigo. O rapaz não era da cidade e Juliano quis ajudá-lo, deixando que ficasse uns dias na casa de sua família. Em três meses de boa amizade, o novo amigo passou a ser visto como um irmão. Logo o rapaz descobriu que tudo o que reclamava do serviço, em confidência ao amigo, era relatado para o chefe de seu setor. Juliano foi despedido e seu ''amigo'' contratado.
Os vampiros emocionais são pessoas amigas, que acabam se tornando bons confidentes, artimanha utilizada para levantar informações sobre seus alvos. ''Eles são frios, calculistas. Sabem encontrar as pessoas mais frágeis e como parasitas se instalam ao lado, para sugar todas as suas potências'', explica Fabiane Squarça.
O psicopata é uma pessoa egoísta e vê os outros como trampolins ou fontes de ganhos. Quem se deixa subjugar por um desses vampiros dificilmente consegue escapar de suas garras. Quando percebem que podem perder um alvo, se fazem de vítimas e são capazes de inverter uma situação fazendo com que seus acusadores se sintam culpados.
Um vampiro emocional procura sempre por pessoas com autoestima baixa, para usar como um espelho. Ao olhar para suas vítimas ouvem o que desejariam ouvir de seus reflexos: elogios e veneração. Demonstram-se tão superiores com atos de bondade que sugam admiração e servidão.
Engana-se quem acredita que os psicopatas são pessoas que logo demonstram violência, o que só acontece em casos extremos. Metódico, ele traça metas e deseja tudo o que o outro tem ou pode vir a possuir. ''Eles vivem de golpes. Não conseguem permanecer em um emprego por muito tempo, pois acabam sendo descobertos. Nesses casos, somem até outro ataque'', ensina a psicóloga.


