Valorizando a boa educação no trânsito
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quarta-feira, 03 de maio de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Muitos motoristas criticam os agentes de trânsito, com a justificativa de que existe a indústria da multa. Poucos se dão conta de que não são esses fiscais do trânsito que produzem a infração e sim os próprios motoristas, que cometem atos irregulares quando estão atrás do volante. Há falta de conscientização no trânsito e isso é provocado tanto pelos condutores como pelos pedestres.
Por esse motivo, quando um motorista vê um pedaço de papel saindo de um talonário eletrônico, a primeira reação é de aflição ou de medo de ter sido multado. Pois a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) realizou uma ação diferente na manhã desta quarta-feira (3). Os agentes pararam condutores que circulavam pela Avenida Duque de Caxias para uma blitz, checaram a documentação do veículo e a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O desfecho dessa fiscalização, porém, foi inusitado. Os que não tiveram multas lançadas na carteira receberam um "auto de educação", atestando o bom comportamento no trânsito. A ação faz parte da campanha Maio Amarelo, que surgiu chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo.
Um dos motoristas que recebeu o auto foi Guedes Stabile, de 86 anos, que dirige desde 1952. "Eu nunca bati carro. No trânsito londrinense tem gente educada como eu, que nunca se envolveu em um acidente. Eu deveria receber uma medalha por isso", cobra. Ao receber o auto de educação, ele agradeceu a iniciativa que, ao seu ver, valoriza os bons motoristas. "O motorista londrinense é mais ou menos educado."
Outra pessoa abordada durante a blitz foi o técnico judiciário André Morales, de 32. "Foi uma surpresa ver essa blitz. Fui mais ou menos parabenizado. O único porém é que a agente constatou que eu tenho quatro pontos na carteira. Eu ainda vou descobrir que infração eu cometi. Mas me senti bem ao saber que fora isso tudo está certo nos meus registros e que mesmo assim fui parabenizado", aponta. Segundo ele, essa iniciativa do auto de educação valoriza o motorista. "A legislação de trânsito tem que ser seguida. Se todos fizerem isso, haverá menos acidentes no trânsito", afirma.
O presidente da CMTU, Moacir Sgarioni, argumenta que o trânsito de Londrina é complicado e aponta entre os motivos o fato de a cidade ser polo de uma região com cidades menores que não têm a fiscalização que existe por aqui. "Nessas cidades há a falta de hábito de uso da seta ou de cinto de segurança e isso contribui para as infrações. É preciso ter consciência que o trânsito em Londrina não ficará menor e a sociedade tem que evoluir junto."
Sgarioni ressalta que a ação do auto de educação, além de valorizar as boas práticas, serve também para que o motorista se aproxime do agente da CMTU para dar a sua opinião e sugestão de melhorias no trânsito. "O departamento de trânsito se coloca à disposição para educar as pessoas, mas também para ouvi-las. Imagino que temos que buscar soluções juntos para problemas que detectamos no trânsito", enfatiza.
Os pedestres que já sofreram acidentes elogiam a campanha. "As pessoas não respeitam mais o trânsito. Já vi muita gente cometer infrações. Eu mesma sofri um acidente na (Avenida) Higienópolis. Eu estava na calçada e o carro me pegou. Não morri porque não era a minha hora", afirma a professora aposentada Alzira Lopes de Carvalho Alves, de 85.
O mesmo diz o carteiro Jucimar Zanirato, de 45, que foi atingido por um motorista desatento que deu ré. "Um outro motorista, mesmo de frente para mim, também quase me atropelou perto do Terminal Central", relembra. Ele destaca também que nas faixas de pedestres, muitos motoristas desrespeitam a campanha "Pé na Faixa", que prioriza o pedestre em detrimento aos veículos durante a travessia dos veículos. "É difícil mudar a cultura do brasileiro. Aumentaram o valor das multas e mesmo assim não está adiantando muito. Principalmente contra os motoristas que bebem", critica.
O diretor de Trânsito da CMTU, Hemerson Pacheco, afirmou que não se pode generalizar. "Dizer que o motorista londrinense é mal-educado seria muito injusto. Creio que ainda há muito que melhorar na sinalização e na mobilidade urbana, já que a cidade está crescendo demais e não está acompanhando a situação, mas a gente está caminhando", afirma.
Segundo Pacheco, tanto a blitz educativa quanto as demais ações do Maio Amarelo têm por objetivo resgatar os bons hábitos no trânsito. "Tendo em vista o slogan do movimento, minha escolha faz a diferença, a CMTU pretende conduzir a uma nova cultura. Por meio da informação e da conscientização, queremos mostrar que um trânsito mais humanizado e seguro é possível a partir da escolha individual de cada um. De nada adianta enchermos a cidade de radares se os motoristas não tomarem a consciência de que uma nova dinâmica no trânsito depende da sensatez de cada um ao volante", afirma o diretor.

Estudantes fazem o mapeamento do trânsito de Londrina
Uma parceria entre a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização e a Unifil resultará no mapeamento dos problemas de trânsito em Londrina. Estudantes dos cursos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo circularão por várias vias visando a identificação das necessidades para a melhoria do fluxo de veículos.
"Começamos na Rua Paranaguá (área central). Esse levantamento realizado pelos alunos terá a vantagem de ser elaborado sob a ótica do condutor. Serão recadastradas placas de trânsito, sinalização viária horizontal e vertical e serão identificados problemas que surgem com o crescimento da cidade", aponta o diretor de Trânsito da CMTU, Hemerson Pacheco.
O diretor complementa que o levantamento visa atualizar o mapa viário da cidade. "Sabendo qual o problema, a CMTU pode realizar a intervenção. Queremos que a parceria se perpetue, não só com a Unifil, mas com todas as instituições que tiverem interesse em realizar esse trabalho", afirma.
Após as atividades na Paranaguá, as ruas Santos e Belo Horizonte também serão alvo do estudo. "Naquela região é muito comum a ocorrência de acidentes em que há colisão transversal, pois a pessoa não sabe quem está vindo. Por esse motivo pretendemos implantar o 'moto esquina' , que é o estacionamento de motocicletas nas esquinas visando a melhoria da visibilidade", expôs.
Os estudantes realizam a contagem do tráfego de veículos e de pedestres, podem sugerir alterações na sinalização, implantação de novas vagas de carga e descarga ou estacionamento exclusivo, instalação de redutores de velocidade.
A Unifil envolveu cerca de 30 alunos nessa fase inicial do projeto, no entanto, o projeto pode vir a angariar até 500 estudantes de diversos semestres nos dois cursos de graduação ou mesmo ser ampliado para outras instituições. O trabalho de mapeamento vai integrar a carga horária prática da grade curricular de algumas disciplinas e contará com acompanhamento e orientação de técnicos da CMTU.
Com a parceria a CMTU pretende conseguir mais celeridade e precisão na resolução dos problemas de trânsito no Município.


