Há 65 anos morando na Vila Casoni (Área Central), o agricultor Paulo Hiroshi Kazahaya conta que se mudou com os pais para a Rua Guaranis aos três anos de idade, quando veio de São Paulo. Segundo ele, o amor pelo local cresceu juntamente com o desenvolvimento do bairro e as melhores lembranças são as de suas travessuras, quando adolescente.
''Ainda me lembro quando eu e outros moleques íamos ver o jogo no estádio Vitorino Gonçalves Dias e, daquela arquibancada de madeira, olhávamos para o campo na hora do jogo; e no intervalo, virávamos para ver o movimento das 'primas''', diverte-se o agricultor, relembrando o grande movimento nas casas de prostituição próximas ao estádio.
''Muita coisa mudou daquela época para cá. Ainda não existia essa rodoviária'', lembra o tapeceiro Rubens Beraldo, morador do bairro há 45 anos. Beraldo conta que chegou de São Manoel (SP) aos 12 anos com os pais em busca de trabalho. Acostumado a viver em um sítio, ficou bem apavorado na cidade grande.
Para ele, a transformação do bairro trouxe consequências positivas e negativas. ''Os imóveis passaram a ser mais valorizados. Com isso, aumentou também a violência na região.''
Kazahaya se emociona ao revelar que pretende se mudar em breve do local, pois a casa em que vive já é antiga e é fruto de uma herança deixada pelos pais. ''Dá um frio na barriga pensar em sair daqui, nunca mudei de casa, nunca tive outros vizinhos, não sei como vai ser para mim essa mudança'', conta. (F.C.)

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