Nilson CamposNova vidaProjeto ‘‘Alfabetizando o Coração’’ ensina português e proporciona leitura; muitos não sabiam nem escrever o nome Sem fugas e rebeliões há mais de um ano e meio, o presídio da 14ª Subdivisão Policial de Guarapuava, que abriga 160 detentos, vem se diferenciando das instituições do gênero em todo o País. A superlotação, maus tratos, formação de comando de crime organizado dentro das prisões, alimentação de má qualidade e a falta de assistência estão longe da rotina dos detentos da 14ª SDP.
A implantação de programas sociais, Pastoral Carcerária, Pró-Egresso, atendimento médico e odontológico e a alimentação de boa qualidade se tornaram fundamentais para que os detentos tenham plenas condições de recuperação. Antes das ações sociais no presídio, as fugas eram constantes. A última, registrada em maio de 1996, envolveu 26 detentos.
Desde o início deste ano, a Secretaria Municipal de Promoção Social vem desenvolvendo projetos junto aos presos. Idealizados e implantados pela socióloga e secretária de Promoção Social, Magdalena Nerone, os projetos - são pioneiros no Estado - visam resgatar a auto-estima, a identidade e a valorização dos presos.
Segundo a secretária, a violência e os crimes praticados diariamente na sociedade são resultantes da falta de empenho na transformação dessas pessoas.
‘‘Se existe violência e crimes é porque existe uma sociedade violenta. Por causa dessa sociedade violenta é que esses detentos cometeram crimes’’, defende.
Saúde Há alguns meses os detentos de Guarapuava estão recebendo tratamento odontológico em um consultório móvel. O microônibus da prefeitura estaciona aos sábados no pátio do presídio para o atendimento. Ainda neste mês, eles passarão a contar também com atendimento médico.
Três médicos da Secretaria Municipal de Saúde estarão se revezando em plantões para atender os presos. Eles serão chamados na delegacia sempre que algum preso necessitar de atendimento.
‘‘Assim evitamos problemas de segurança com escolta e também que sofram o constrangimento de ter que esperar algemados até serem atendidos nos consultórios’’, explica o delegado.
Comportamento O delegado-chefe da 14ª SDP, Darci Bianchini, afirma que os programas melhoraram muito o comportamento dos detentos e que eles estão mais tranquilos e receptivos.
‘‘Eles melhoraram bastante. Estão entendendo que tudo que é feito é para resgatar a dignidade deles. Para eles, isso é uma questão moral e pessoal porque estão sendo valorizados como pessoas. Quando ganharem a liberdade terão outra visão da sociedade’’, afirma.
Bianchini considera necessária a implantação desse tipo de trabalho junto a outros presídios. ‘‘Os detentos são marginalizados e esquecidos. A sociedade precisa ter consciência que ela também faz parte desse processo de recuperação’’, disse.
Para garantir boa qualidade na alimentação dos presos, a própria comunidade de Guarapuava tem auxiliado na manutenção da 14ª SDP. Supermercados, açougues e entidades colaboram semanalmente para que as refeições sejam de boa qualidade.
‘‘Quase todo dia os presos comem carne no almoço. Sem a ajuda da comunidade, isso não seria possível’’, diz o delegado.

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