Maria Ramari Jarenko não pára. Prestes a completar 70 anos, a rotina da costureira aposentada é de fazer inveja a qualquer adolescente na flor da idade. Além de cuidar da casa, ajudar os vizinhos e costurar até altas horas da madrugada para entregar os pedidos a tempo, ela participa de atividades na igreja católica do Conjunto Semíramis Braga, Zona Norte de Londrina, e coordena o grupo de idosos do bairro.
''Gosto de lidar com as pessoas idosas, de conversar e de preparar os lanches e os sucos para as reuniões do grupo'', confessa a costureira, que incentiva as 79 senhoras que fazem parte do grupo de idosos a praticar ginástica, a passear e jogar conversa fora. ''Temos apenas um homem no grupo, o resto prefere ficar em casa deitado no sofá, vendo televisão'', brinca.
Para a aposentada, ''antes os idosos não faziam nada, mas hoje já estão saindo de casa, fazendo exercícios''. No grupo do Semíramis, que se reúne semanalmente, os idosos têm aulas de ginástica duas vezes por mês com um profissional cedido pela Prefeitura. ''Nos demais encontros fazemos brincadeiras e recebemos a visita das enfermeiras do posto de saúde'', completa Maria.
Segundo ela, as senhoras gostam de ir ao encontro semanal, que acontece no salão de festas da igreja católica, para conversar e se distrair. ''Tem uma senhora de 93 anos que não perde um encontro e sempre que não pode ir, ela reclama que sente falta das nossas conversas'', conta a costureira.
Viúva, Maria vive sozinha, mas recebe telefonemas diários dos dois filhos, que também moram em Londrina. Para ela, é difícil morar só, ''principalmente à noite, porque de dia tem sempre alguém aqui em casa''. ''Meus filhos já pediram para eu ir morar com eles, mas enquanto puder me virar sozinha, prefiro ficar na minha casa.''
A costureira não tem do que reclamar quanto aos sistemas de saúde e transporte de Londrina, mas gostaria que houvesse mais opções de lazer para os mais velhos. ''Antes a gente tinha que madrugar para conseguir uma consulta, ficava em fila. Agora está melhor'', assinala Maria, que acredita que hoje os idosos ganharam o respeito da sociedade.
Conforme dados da Secretaria do Idoso de Londrina, o município conta hoje com pouco mais de 45 mil idosos nas zonas urbana e rural. A população de pessoas com idade acima dos 60 anos dobrou nas últimas duas décadas. Em 1980 eram apenas 5,37% da população, quando a média brasileira era 6,07%. Já em 2000 eram quase 10% dos londrinenses, ultrapassando a média brasileira, que ficou em torno de 8,5%.
A política pública municipal é de valorização da terceira idade, por meio de uma parceria com os grupos organizados nos bairros. Ao todo são 25 grupos de convivência ligados à Prefeitura e outros 30 independentes. Segundo a secretária municipal do Idoso, Cristina Coelho, nos grupos, o idoso esclarece seus direitos e participa de palestras educativas sobre como envelhecer com qualidade. Também são oferecidas atividades físicas, como aulas de alongamento, caminhadas e dança. Setenta a 80% dos participantes são mulheres.
Segundo Cristina, a Prefeitura fornece ainda benefícios financeiros, como o bolsa-idoso municipal, que repassa 100 reais para aqueles que têm até um salário mínimo de renda e moram na cidade há mais de dois anos, e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é destinado a pessoas acima dos 65 anos que não têm condições de se aposentar. ''Nesse caso, ele recebe um salário mínimo de ajuda.''
A secretaria de Saúde de Londrina também desenvolve ações específicas para os idosos, como a aplicação de vacinas anti-gripal e antipneumocóccica e a política de medicamentos para diabéticos e hipertensos ou ainda para pessoas com o Mal de Parkinson. ''A idéia é preparar o idoso para ter mais qualidade de vida no dia-a-dia'', conclui Cristina.

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