O ideal de bom-velhinho talvez já não caiba mais no gordo Noel. Basta ver as ruas cheias de Londrina. Ele agora corre atrás de presentes e lembranças, e os agraciados talvez não dêem tanta importância para o sentimento desta data cristã. Mas já que a troca de presentes se tornou o centro da celebração, por que não fazer isto de maneira mais significativa? ''É pelo menos uma época para pensar no outro. Nos gostos, no que a pessoa é, no que ela representa para a gente'', destaca a jornalista e apresentadora de TV, Helenida Taufik Tauil da Costa Branco, que há mais de 15 anos se veste de Mamãe Noel junto da família e entrega presentes para pacientes da Santa Casa e Hospital Mater Dei de Londrina.
Desde o último dia seis, quando as lojas do comércio londrinense passaram a atender em horário estendido - até às 22 horas -, o movimento aumentou visivelmente. Pais com crianças, mães e filhas, jovens em férias passeiam, olham vitrines, carregam sacolas. A família Santos é um exemplo. O professor Sandro, de 36 anos, carrega o menino, Sandro dos Santos Filho, nos ombros, enquanto a esposa, Greici, os acompanha pelo Calçadão da Avenida Paraná (Região Central). ''Estamos olhando, porque presentes este ano serão só lembrancinhas'', adianta o rapaz.
Eles contam que preferem escolher agrados que, apesar de baratos, sejam úteis para o presenteado. ''Quando é amigo secreto a gente segue a lista, e quando é para a família, um pede para o outro o que quer ganhar. Assim não tem como errar''. Helenida confessa que também não gosta de receber presentes errados. ''Principalmente se eu souber que a pessoa tem condições de escolher uma coisa legal, mas saiu comprando qualquer coisa. Lembrança não é brinde de empresa'', exclama.
Ela ensina que, independente do valor, o interessante seria as pessoas personalizarem os presentes. ''Nem que se compre uma camiseta, mas que se procure fazer algo nela, customizá-la, de maneira a deixá-la com a cara de quem se vai presentear''. A jornalista afirma que para isto é preciso parar e pensar sobre a outra pessoa. ''Mesmo quem está sem dinheiro pode fazer algo legal, basta pensar no que a outra pessoa é para ela''.
A estudante Oksana Zaninele, de 20 anos, diz que gosta de escrever cartões, além de dar o agrado. ''Eu procuro escolher o que sei que a pessoa vai gostar, mas escrevo um cartão para demonstrar o que eu sinto por ela''. Outro estudante, Ricardo Toledo de Barros, 24 anos, garante que só presenteia o que sabe que a outra pessoa vai usar. ''Não importa o valor, se eu der um brinco, será aquele que ela vai usar. Se eu der um carrinho para meu sobrinho, será aquele que sei que ele vai brincar. Assim as pessoas sempre lembrarão de mim''.
Para Márcia Regina Caneto, 42 anos, o presente deve deixar feliz o presenteado sem desagradar o bolso de quem presenteia. ''Escolho pelo gosto, mas também pelo meu alcance financeiro''. Ela entende que o Natal se tornou uma data comercial, mas mesmo assim não perde a oportunidade de demonstrar o carinho às pessoas. ''Se eu ganhar de um filho um papel escrito 'te amo, Deus te abençoe', vou ficar muito feliz''.
Helenida Tauil não concorda com Caneto. ''Quando se sabe que a pessoa não pode dar algo caro, o gesto de carinho é suficiente e enche de alegria. Agora, se a pessoa pode dar um bom presente, penso que o valor dele representa o valor que temos para aquela pessoa''. Sem pensar no valor financeiro, ela revela que o que mais gostou de ganhar recentemente foi um jogo de enfeites para taças, personalizado com pedras, feito à mão por uma vizinha que tem 91 anos.
Ela também conta que quando tem condições financeiras, presenteia a família com o que mais agrada a cada um, independente do valor. ''Vamos imaginar que a gente vive em um mundo sem miséria. Neste caso, acho que não vale medir esforços para agradar alguém que se ama. Por isso, quando posso, compro o que a pessoa deseja. Quando não, penso e encontro algo bem individual que demonstre o que sinto e desejo em relação a ela''.

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