Os moradores da Rua Eduardo Grandis, no Jardim Porto Seguro (zona norte) querem que a prefeitura deixe a rua do jeito que estava antes das obras da rede pluvial. Brás Rodrigues, 37 anos, funcionário público, conta que há cerca de 45 dias uma empresa abriu três valetas com aproximadamente dois metros de profundidade e mais de um metro de largura para a passagem da tubulação.
‘‘Eles trabalharam quatro dias e depois sumiram. Só apareceram hoje (ontem) porque o caminhão de lixo caiu na valeta do final da rua e precisou ser retirado com um trator’’, diz Brás Rodrigues, revoltado com a demora.
Até ontem de manhã, as valetas e os montes de terra ocupavam praticamente toda a Rua Eduardo Grandis, obrigando os moradores a desviar por terrenos ainda desocupados para conseguirem chegar às suas casas.
‘‘Nós procuramos a Secretaria de Obras da prefeitura, mas eles ficaram jogando a gente de um lugar para outro. Há 15 dias, fomos informados pela Secretaria de Obras que a máquina estava quebrada mas faria o serviço no bairro em poucos dias. Nada foi feito’’, diz a cabeleireira Elza Fogaça, de 42 anos.
A cabeleileira acrescenta que durante todo este tempo os moradores ficaram sem coleta de lixo e sem ônibus porque os veículos não conseguem passar pela rua. ‘‘Ligamos ontem para a Vega Sopave (empresa responsável pela coleta de lixo na cidade), eles mandaram o caminhão hoje (ontem) e o caminhão caiu na valeta. É um absurdo os responsáveis esperarem tanto tempo para tomar providências’’, complementa Elza Fogaça. Segundo os moradores da rua, a prefeitura terceirizou o serviço para a empresa Urbalon, que atrasou o trabalho.
Ontem de manhã, a reportagem da Folha abordou um funcionário que estava coordenando o trabalho do tratorista que retirou o caminhão de lixo da valeta, mas ele não quis dar entrevista. Ele confirmou apenas que pertencia à empresa Urbalon. O engenheiro da Urbalon, Mike Fabian informou, no entanto, que a obra é de responsabilidade da empresa Londrinense. Mike Fabian disse que a empresa Londrinense locou os equipamentos da Urbalon há mais de um mês para realizar o serviço.
O engenheiro da empresa Londrinense, Salvador Pedalino, disse ontem que não entende porque tanta polêmica. Segundo ele, a obra, terceirizada pela prefeitura, tem um prazo de 90 dias para ser concluída. ‘‘Nós estamos praticamente 40 dias adiantados no cronograma. Só não terminamos antes porque a obra envolve outros pontos que tiveram de ser realizados antes’’, explicou.
No começo da entrevista, o engenheiro disse que as três valetas da Rua Eduardo Grandis eram postos de visita - local que permanece aberto, coberto por uma tampa para permitir o controle posterior da rede. Mas Pedalino não soube explicar porque ontem, depois que o caminhão de coleta de lixo caiu na valeta, a empresa simplesmente aterrou duas das valas. ‘‘Talvez estas duas sejam apenas valetas. Mas o importante é que a obra estará concluída amanhã (hoje) e a rua vai ficar como estava antes.’’

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