Não se trata simplesmente de uma comparação a grosso modo do secretário municipal de Meio Ambiente, Dirceu Fumagali, apontando que em Londrina o que não é espigão é fundo de vale, mas uma constatação que nem sempre reflete uma convivência entre essas duas realidades. Uma relação em que a falta de consciência ecológica compromete a vida de áreas de preservação, como a do fundo de vale do Córrego dos Tucanos (Zona Sul).
Despejo de entulhos e construções clandestinas são alguns dos problemas no local. Uma ação civil pública de responsabilidade por danos ambientais protocolada na 3 Vara Civel contra uma madeireira é uma das iniciativas para preservar a área - um dos mais de 100 fundos de vales londrinenses.
A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) pretende realizar um projeto piloto de revitalização no vale do Córrego dos Tucanos, que abrange desde a área próxima do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), às margens da Rodovia Celso Garcia Cid, quilômetro 376, até a região da barragem do Lago Igapó. O Tucanos é um dos 85 vales com curso d'água na cidade. Dirceu Fumagali destaca que a Sema está terminando o planejamento, e o trabalho deve começar em 2005.
Embora várias placas no vale do Córrego dos Tucanos informem que jogar lixo é crime ambiental, não só a área de preservação está sendo ocupada com entulhos, como parte da Rua Tranquilo de Paiva Botega, que margeia o lugar, também virou depósito de lixo e até animais mortos.
A assessora da Sema, a veterinária Anne Christina Hiltel, destaca a situação do lugar: ''De um lado do vale, associações ganharam áreas. Existe até uma piscina desativada por estar em área de preservação ambiental. Existe gente que tem plantação no lugar. Na região em frente à Cativa, algumas pessoas invadiram, sendo que 39 famílias moram ali. Pessoas que na administração do Cheida (Luiz Eduardo Cheida, ex-prefeito de Londrina e atual secretário estadual de Meio Ambiente) foram retiradas dali, mudando-se para casas próximas ao Parque Arthur Thomas. Esse pessoal acabou voltando para o vale'', aponta Hiltel.
Na tentativa de evitar a degredação do vale, o engenheiro agrônomo Lauro Ako Akuyama protocolou ação civil pública de responsabilidade por danos ambientais em área de preservação permanente, com pedido de liminar contra a Curupay Indústria e Comércio de Madeiras Ltda, que se encontra na 3Vara Civel. A promotora da Vara de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, afirma que a ação está na fase pericial. ''Estamos esperando a conclusão do trabalho dos peritos. Fiz uma petição para que seja realizado o mais rápido possível''.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fizeram vistorias no local, identificando que a madeireira teria invadido a área de preservação permanente dentro da faixa mínima de 50 metros, prescrita no artigo 2º, letra ''c'', da lei nº 4771/65, do Código Florestal, onde se localiza a nascente do córrego.
Os institutos emitiram autos de infração ambiental contra a empresa pela invasão da área. A limitar previa que a empresa parasse com o despejo de entulhos no fundo de vale. Uma nova vistoria do IAP, em abril de 2002, não constatou mais o despejo de entulhos por parte da madeireira.

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