Vale do Rubi sofre com o lixo
Vale do Rubi sofre com o lixo
Dorico da SilvaValmir de França, do Departamento de Geociências da UEL: água de aspecto bom, mas de qualidade comprometidaO Córrego do Rubi é um dos mais importantes alfuentes do Ribeirão Cambé, que represado forma os lagos Igapó. Ele nasce de um ajuntamento de minas no fundo do Jardim Bancários (zona oeste) e deságua no Igapó 3, ao lado da ponte da Avenida Presidente Castelo Branco que leva à UEL , no Jardim Presidente. Quem vê a água do córrego na sua foz, quase transparente, não pode imaginar o tanto de lixo que nela foi jogado no percurso de aproximadamente 1,5 km.
Visualmente, o aspecto da água é bom, mas a qualidade dela certamente não é boa. O maior problema do Rubi é a quantidade de lixo doméstico que é jogado nele diariamente, além de vários pontos de ligações clandestinas de esgoto sanitário direto nas galerias de águas pluviais, explica o professor do Departamento de Geociências da UEL, Valmir de França, que é doutor em hidrologia continental e oceânica.
Segundo ele, que residiu por dez anos num bairro vizinho do Vale do Rubi, este problema é antigo. A associação de moradores da região cansou de denunciar. Os órgão vêm e resolvem, mas o problema volta por falta de conscientização das pessoas. Não podemos deixar tudo nas mãos do poder público. A população tem que se responsabilizar pelo cuidado do meio ambiente, ressalta Valmir de França.
A nascente do córrego está onde antigamente ficava o poço artesiano que abastecia as casas dos jardins Bancários e Sumaré. Já neste local o mau cheiro é forte, denunciando a existência de esgoto doméstico in natura chegando pelas tubulações das galerias pluviais. O pior é o lixo jogado nos barrancos, nas encostas do córrego pelas pessoas mal educadas, reclama o garçom aposentado João Rodrigues, 67 anos, morador do Jardim Edy, que fica na margem direita do Rubi.
São pneus velhos, garrafas plásticas e de vidros, latas de produtos alimentícios, caixas de papelão e outros tipos de lixo. Eles estão espalhados pelo bosque que conta com muitas árvores e é bem gramado e atingem a água do córrego. O caminhão da limpeza passa aqui três vezes por semana, não há motivo para as pessoas fazerem isto, lamenta João Rodrigues, que mora no Jardim Edy há quase 30 anos.
Ele mostra com orgulho as árvores que plantou nas margens do Rubi. São jaqueiras, paineiras, abacateiros e muitas bananeiras. Esta jaqueira tem mais de 20 anos. Teve um ano em que ela deu 86 jacas enormes. Planto para ajudar a conter a erosão da enxurrada das chuvas e proteger o Rubi.
Ao redor do Vale do Rubi não há calçamento ou pista de cooper. Mas na sua parte inicial, entre a nascente e a Rua Astorga, no Jardim Andrade, fica o complexo esportivo Joaquim Garcia Pereira. Ele conta com um campo de futebol gramado, a única pista pública de skate da cidade, pista para motocross e bicicross, e uma trilha para caminhadas. (O.C.)





