Vale a pena educar o povo
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quinta-feira, 12 de abril de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Ao contrário do que todo mundo pensa, as campanhas educativas realmente têm efeito positivo sobre a população. Isso fica ainda mais evidente durante a ExpoLondrina. Num giro rápido pelo Parque Ney Braga é possível ver o público interessado em saber mais sobre dengue ou como se proteger do ataque de bichos peçonhentos. E descobrir de onde vem a energia que liga os televisores e esquenta os chuveiros de casa interessa não só às crianças, mas também os adultos.
No estande da Prefeitura de Londrina, seis funcionários da Secretaria de Saúde se revezam na transmissão de informações sobre dengue. O larvário conquista as crianças, que chamam a atenção dos pais e assim a campanha de combate à doença toma forma no recinto de exposições.
Segundo a agente de endemias Mirian Pequina, os agentes distribuem panfletos e cartilhas. ''A criançada tem curiosidade em conhecer o mosquito, já os adultos normalmente querem saber que procedimentos tomar em caso de suspeita da doença'', diz Mirian. Para ela, as campanhas educativas que acontecem durante o ano todo na cidade ''ajudam totalmente no trabalho de prevenção da doença''. ''O lema é um só: é melhor prevenir que remediar.''
O médico veterinário Ricardo Matsuo, que trabalha no Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, também acredita nisso. Na ExpoLondrina, ele coordena a barraca de saúde rural, onde é exposto todo tipo de bicho peçonhento encontrado não só no campo, mas também na cidade.
Segundo Matsuo, enquanto os adultos ainda pensam em matar os bichinhos, as crianças já têm uma mentalidade mais voltada à preservação. ''Muita gente que visitou o estande no ano passado, voltou esse ano já sabendo as informações. Principalmente as crianças, que acabam explicando para os pais'', afirma Matsuo. ''Por isso, compensa mais educar a criançada'', completa.
Segundo ele, 99% da população desconhece a função dos bichos peçonhentos na natureza e hoje ''já existe uma ciência, a toxinologia, que estuda a aplicação terapêutica dos venenos nos humanos''.
Na fazendinha da ExpoLondrina funciona, desde 1995, a unidade do leite na qual a Emater, em parceria com a Embrapa Gado de Leite, montou uma vitrine da tecnologia da cadeia leiteira há quatro anos. Lá, crianças e adultos se revezam para ver desde a pastagem e os animais, da ordenha ao processamento do leite na indústria, como é feito o controle de sanidade e qualidade, os medicamentos aplicados aos animais, os profissionais envolvidos na cadeia produtiva e os subprodutos do leite.
Ao final do passeio, há a degustação de uma bebida láctea ou doce de leite e os visitantes levam para casa um folheto explicativo sobre a história do alimento. ''O objetivo da campanha é incentivar o consumo, já que o leite tem um valor nutricional muito importante para o organismo'', avisa a engenheira agrônoma Cristina Célia Krawulski, da Emater da Jaguapitã.
Segundo ela, muitas crianças não sabem que requeijão é feito de leite ou pensam que a margarina é e acabam descobrindo informações curiosas sobre o leite durante o passeio pela feira agropecuária. ''Muitos passaram a consumir bebida láctea depois de visitar a exposição'', assinala Cristina, que apóia a campanha Leite das Crianças, do governo do Estado. ''Sem dúvida vale a pena investir em campanhas educativas.''


