Vaidade e ciúme no topo da lista
De uns dois ou três anos para cá, percebemos que a maior parte das brigas envolve meninas, e o principal motivo das desavenças são os garotos, revela a supervisora da Escola Estadual Humberto Coutinho, localizada no Conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste de Londrina), Sandra Mara de Almeida. Este ano, por exemplo, a instituição, que atende 800 alunos do ensino fundamental, médio e Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (Celem), não registrou nenhuma ocorrência grave protagonizada por meninos.
Geralmente as brigas têm início lá fora e culminam dentro da escola. Há casos, por exemplo, em que tudo começa pela internet, diz a pedagoga, lembrando o caso de uma adolescente que colocou a foto do namorado de outra no Orkut, gerando uma grande confusão, com direito a participação de alunas de outras escolas, espetáculo no meio da rua e agressões físicas (a garota que postou a foto saiu com vários machucados pelo corpo).
É uma violência transmitida também verbalmente, por meio de constantes palavrões, conta a diretora da escola, Leliane Noivo. Trabalhando na escola há 27 anos, a diretora sente falta da delicadeza, da feminilidade e da capacidade de se valorizar, antes características das alunas. Tentamos ensinar tudo isso a elas, mas a maioria nem sabe o que é isso, argumenta.
O comportamento carente de respeito ao próximo e de bons modos é estendido a todo o ambiente escolar. De acordo com a diretora, o banheiro feminino, por exemplo, concentra muito mais desperdício que o banheiro masculino.
Na tentativa de resgatar valores e reverter este quadro, a escola desenvolve dois projetos, um junto aos alunos o Grupo de Jovens e outro junto aos pais a chamada Escola de Pais. Os dois projetos buscam trabalhar temas como limites e convivência familiar. Não podemos ficar naquela situação em que os pais culpam a escola pelos problemas e a escola culpa os pais.
O diretor do Colégio Estadual Marcelino Champagnat (Área Central), Claudecir Almeida da Silva, confirma que as meninas estão dando mais trabalho. Elas são muito vaidosas, não aceitam críticas de colegas, e este é um dos principais motivos das brigas, diz. Ele lembra que uma das brigas ocorridas na escola que atende 2,3 mil alunos começou porque uma pisou no tênis da outra. O pior é que, além do fato das duas serem amigas, nenhum dos colegas que estavam por perto tentou intervir. Pelo contrário, eles incentivaram o confronto, que só foi interrompido quando um representante da Associação de Pais e Mestres entrou no meio, até que nós chegássemos.
Das três brigas registradas no colégio este ano, nenhuma teve a participação de meninos. Percebemos que as meninas evoluem mais rápido que os meninos, e elas estão mais ousadas, bebem mais, brigam mais, resume Silva, que está à frente da direção da escola há nove anos.
Para o diretor, os pais têm sua parcela de culpa: Muitos deixam as filhas à vontade. Elas marcam os confrontos pela internet, com a conivência das famílias. Segundo Silva, um grande número de alunos da instituição convive pouco com os pais, ficando na maior parte do tempo sob os cuidados de avós. (S. L.)





