Vai faltar mão-de-obra na construção civil
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terça-feira, 18 de março de 2008
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Se você pensa em construir ou reformar, melhor ter paciência. Um boom nos projetos arquitetônicos da cidade - públicos e privados - com a construção de dois novos shoppings na Região Norte de Londrina, entre outros tantos empreendimentos imobiliários que começaram a se erguer no início do ano passado, levaram à escassez de mão-de-obra no setor da construção civil londrinense. Conforme dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), ainda não faltam trabalhadores, mas a situação pode se tornar crítica no fim do primeiro semestre deste ano.
Para suprir a demanda por bons profissionais, o Sinduscon, em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (Sintracon) e o governo estadual, promoverá o treinamento de 2 mil profissionais em todo o Estado ainda neste semestre. Quinhentos trabalhadores ligados às quatro regionais do Sinduscon serão capacitados pelo Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae).
Conforme o vice-presidente do Sinduscon de Londrina, Gerson Guariente Júnior, 250 vagas serão destinadas a desempregados e trabalhadores que vivem de programas sociais, como o Bolsa-Família. O restante das vagas será para a requalificação de profissionais que já atuam no mercado da construção civil.
Segundo Guariente, já teve início, na última semana, uma pesquisa junto aos associados do sindicato, a qual irá apontar as principais demandas dos empresários quanto à requalificação. ''Já os desempregados serão capitaneados pela Secretaria de Assistência Social do município e pelo Sistema Nacional de Emprego, o Sine'', informou.
O projeto pretende amenizar a escassez de mão-de-obra, mas poderá se tornar um programa de longo prazo. Ele avaliou a mão-de-obra londrinense como uma das melhores do País, em termos de qualidade e produtividade, e que hoje há uma ótima relação de custo-benefício no pagamento dos profissionais do setor. ''Determinados salários são altos, mas compatíveis com o rendimento proporcionado pelo funcionário. Existe gente disposta a trabalhar e as próprias empresas se preocupam com o treinamento de seus funcionários'', complementou.
Hoje, em Londrina, o treinamento de pedreiros, mestres de obra, azulejistas e marceneiros se dá na prática. Segundo Guariente, o profissional trabalha e aprende. ''Normalmente quem está começando fica sob os cuidados de um mestre de obras, de uma equipe de engenheiros ou até de um pedreiro mais experiente.''
Ainda conforme o vice-presidente, o sindicato está voltando a sistematizar os cursos de capacitação de mão-de-obra para o setor. ''Antes não tinha tanta demanda, mesmo assim o Senai sempre ofereceu cursos constantes'', recordou Guariente, ressaltando que, mesmo treinado, ''o aperfeiçoamento do profissional da construção civil vem com a prática''.
É o que defende o mestre-de-obras Aroldo Sidinei da Silva, 44 anos. Desde os 9 anos ele segue os passos do pai, que era carpinteiro. ''Comecei com madeira e fui evoluindo. Da alvenaria, passei para o acabamento, sempre na prática. Hoje não me falta serviço, tenho obras agendadas até junho'', comentou.
Silva trabalha com uma equipe de cinco funcionários, todos treinados por ele, que faz questão de dedicar 100% de seu tempo à obra que se propôs a fazer. ''Tenho clientes fixos há mais de 15 anos e quando digo que farei o assentamento, eles têm a certeza de que sou eu quem está assentando tudo.''
Para Silva, que trabalha como autônomo desde 1992, falta treinamento para os novatos. ''Muitos deixam a desejar, não só pela competência, mas em questão de honestidade. Na hora de pedir trabalho, todos concordam com o que você propõe, mas depois, muitos te largam na mão.''
Levando no máximo duas obras paralelamente, Silva é exemplo de que é possível vencer na vida trabalhando como pedreiro. ''Trabalhei só dois anos numa construtora. Tudo o que consegui na vida, minha casa, meus dois carros, minha moto para corrida, consegui trabalhando por conta'', ensinou.


