Vai acabar, diz ministro
Londrina - Em entrevista exclusiva para a FOLHA, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, observou as imagens feitas em matadouros municipais do interior paranaense e sentencia: "a posição do governo federal é a de eliminar os matadouros municipais, mesmo aqueles que tenham padrões mais elevados. Temos que ter plantas maiores, adequadas, com capacidade e escala para obedecer todas as condições sanitárias, as mesmas exigidas para o mercado externo". Ele calcula que em cerca de 10 anos essa realidade estará em vigor.
Na opinião de Stephanes, o segmento de abate de animais está dividido entre "dois Brasis". O primeiro seria o do agronegócio, que obedece rígidos conceitos, normas e padrões internacionais e que exporta para 150 países. No outro lado, estão os matadouros regionais e municipais, frágeis em garantir a qualidade sanitária do produto que comercializam. O ministro salienta que muita coisa tem sido feita, mas observa que é preciso tranqüilidade para equilibrar esses dois mundos e se chegar a uma única situação. "Por exemplo, uma das maiores reivindicações que recebo de parlamentares é para liberar recursos para matadouros municipais. Posso garantir que não liberei nenhum", afirmou.
Outra mudança que já está sendo colocada em prática na indústria do leite e que deve ser realidade, em breve, também, nos frigoríficos é a saída do técnico federal responsável pela inspeção da carne produzida. O ministro sustenta que a própria indústria deve se responsabilizar pelo produto que fabrica, como acontece nos demais setores e como prevê o Código de Defesa do Consumidor. O Estado se responsabilizaria em realizar auditorias para certificar a qualidade e segurança do processo.
"Temos uma série de compromissos internacionais e alguns países ainda exigem que a planta que exporta tenha técnico federal responsável. Mas, fora esses países, no restante vamos mudar o sistema porque não podemos manter um profissional em cada unidade de produção do Brasil", apontou.(L.A.)





