Vai a julgamento acusado que diz ter matado 57 pessoas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de abril de 1998
Luiz Carlos Dias Júnior Especial para a Folha 
O Tribunal do Júri de Guarapuava inicia hoje o julgamento de um dos mais perigosos homicidas da história do município. Valdir Amaral da Cruz, 28 anos, será julgado pelo assassinato dos tios e primos, ocorrido há mais de quatro anos na Vila Mansueto. Após serem mortos, Cruz enterrou os parentes no fundo do quintal e em depoimento à polícia confessou mais 57 mortes que ainda são investigados, a maioria no interior do Estado de São Paulo, onde morou.
Para a defesa do réu, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) designou Rodrigo Bettega Ressetti, que já trabalhou em casos semelhantes. Ressetti preferiu não adiantar nada a respeito do julgamento, mas já estava com a tese de defesa concluída. Na acusação estará a promotora de Justiça Mônica Sakamori.
Valdir Amaral da Cruz se considera um justiceiro. Quando matou os tios, eliminou as crianças para não deixar testemunhas, mas ganhou notoriedade quando afirmou que havia cometido mais de 50 assassinatos, alguns encomendados e outros apenas para se vingar. O primeiro crime da vida dele aconteceu aos 18 anos, em 1988, quando matou para se defender. A partir daí não parou mais.
No interior de São Paulo, matou uma mulher por encomenda do sogro, mas não contava com a presença do menino, filho da vítima, que estava junto. Os dois foram enterrados em um poço e coberto com terra. Como justiceiro, eliminou gangues e estupradores, chegando a estudar os hábitos dos bandidos e se vestir de mulher para atraí-los. Ele diz que eliminou mais de 10 rapazes de uma gangue, que haviam esfaqueado um amigo.


