Imagine estacionar em uma vaga destinada a deficientes físicos e ter o veículo todo coberto por adesivos coloridos, que formam o símbolo usado para indicar vagas para pessoas com deficiência. Foi o que aconteceu com um motorista de Maringá (Noroeste) na tarde da última quarta-feira. A ação, organizada por um canal de humor, foi gravada e viralizou nas redes sociais.
Apesar de suspeitas de que o condutor fosse um ator integrante do canal, a história terminou com multa por estacionamento irregular, uma prática mais comum nas cidades do que se imagina. Em Londrina, somente em 2014 foram aplicadas mais de mil multas por estacionamento irregular em vagas exclusivas – seja para deficientes físicos, seja para idosos. Deste total de infrações, 532 foram em áreas para carros com condutores ou passageiros maiores de 60 anos e 477 para veículos com motoristas ou passageiros com dificuldades de locomoção.
Neste ano, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) já registrou 335 autuações por estacionamento irregular em vagas exclusivas. A maioria, 223, é referente a vagas para idosos. Em 2013 foram, ao todo, 1.150 autuações.
Quem tem o direito de ocupar estas vagas e vê o espaço sendo utilizado por quem não se enquadra nas regras fica revoltado. Ontem, o aposentado Raul Palegari, de 66 anos, chegou a acionar a CMTU para notificar um condutor que estacionou "metade" do carro dele em uma vaga para idosos. Na posição em que o carro irregular ficou, era quase impossível o idoso manobrar para sair da vaga. O autor da infração acabou chegando, no entanto, antes da CMTU. E foi embora sem ser autuado. "Não é a primeira vez que vejo pessoas fazendo isso. Acontece direto, largam o carro por três, quatro horas na nossa vaga. Falta fiscalização", lamentou Palegari.
O taxista Luiz Sérgio Zaninelli, de 58, já cansou de ver motoristas infringindo o que prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) neste sentido. "Isso acontece principalmente perto de supermercados", pontuou. "É uma falta de respeito muito grande. Mesmo que não tenha vagas para mim, não paro de jeito nenhum na vaga exclusiva. Não sabemos quando alguém pode precisar", emendou a educadora Ivanira da Silva, de 35.

FISCALIZAÇÃO
Para o diretor de Trânsito da CMTU, Hermeson de Oliveira Pacheco, falta civilidade e empatia por parte dos motoristas que insistem em estacionar onde não podem. "É questão de se conscientizar mesmo, de se colocar no lugar do outro, de pensar que um dia também vamos ser idosos ou podemos ter uma deficiência física futura e precisaremos dessas vagas", alertou.
A expectativa, observa ele, é que a CMTU reforce em breve a fiscalização com o uso de motocicletas pelos agentes. Para Pacheco, isso deve ajudar no deslocamento das equipes para atendimentos, como no caso do aposentado Raul Palegari. "Vamos criar um mecanismo específico para isso", assinalou. A companhia também planeja intensificar as ações educativas em escolas e entre os motoristas. A partir disso, a fiscalização, define, será mais rigorosa e não de orientação.
Hoje, estacionar em vaga exclusiva para deficiente físico ou idoso implica em multa considerada grave pelo Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). A infração custa ao condutor R$ 127,69 mais cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Para usar uma destas vagas sem estar sujeito à punição, é preciso que o idoso ou deficiente físico obtenha credencial junto à CMTU. O documento, no ato do estacionamento, precisa ser deixado no painel do veículo para verificação dos agentes. Na página da companhia na internet é possível verificar onde estão as 266 vagas destinadas a idosos (146) e deficientes (120) no centro da cidade. O endereço é o www.cmtuld.com.br.

mockup