Dimitri do Valle
Os cerca de 2 mil portadores de deficiência física que dirigem automóveis em Curitiba têm um problema em comum: a falta de vagas especiais para estacionamento. Elas existem, mas são ocupadas por motoristas que páram seus carros nestes espaços por pura comodidade.
‘‘A população desconhece o significado do símbolo pintado naquele local’’, diz o vice-presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), Nivaldo Menin, referindo-se ao emblema de uma pessoa numa cadeira de rodas.
Apesar de ser internacional, o sinal não faz parte da legislação de trânsito. Como qualquer outro motorista, os deficientes precisam optar para a cordiabilidade quando estão ao volante. ‘‘Se você não estender o braço para fora e der um sinal de positivo para o motorista dar a preferencial, dificilmente você consegue passar’’, diz. O detalhe é que os deficientes precisam das duas mãos para controlar o veículo.
Mas estas parecem não ser as duas únicas dificuldades quando os deficientes querem transitar com veículos especiais. Segundo Menin, não existem muitas variedades de modelos adaptados. ‘‘Na hora de ir ao mercado, não existe opção de escolha. Eles são restritos’’, afirma.
O empresário Henrique Nemeth, que possui uma firma especializada na readaptação de veículos para deficientes, recomenda que o mais cômodo é comprar um carro comum. ‘‘Quando você resolver trocar de carro, pode retirar o equipamento para instalá-lo em outro e o veículo continua com seu preço real de mercado’’, diz.
Nemeth realiza em média oito adaptações por mês. Ele diz que o número poderia ser mais elevado, se o poder aquisitivo dos deficientes que se candidatam a motoristas fosse maior. As adaptações variam de acordo com o grau de deficiência da pessoa. Podem custar de R$ 60,00 até R$ 6 mil. A mais cara prevê a instalação de uma embreagem especial que permita uma troca de marchas mais rápida do que num carro comum.

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