Vaga para internação é
difícil e cirurgia demora
Maria da Conceição Almeida, de 50 anos, sentiu na pele a precariedade dos recursos do hospital. Internada no dia 14 de maio, com um aneurisma cerebral, teve a cirurgia adiada várias vezes e só foi operada dia 25 de junho. ‘‘Primeiro não tinha sangue compatível, o que foi resolvido pela família. Ela também teve complicações com diabete, pressão, mas a cirurgia chegou a ser adiada por falta de medicamento, e até porque não tinha anestesia’’, conta Adalberto Prado, que acompanha Maria no hospital. Diante desta situação, ele mesmo chegou a comprar remédios, esparadrapos, faixas e sondas, de modo a agilizar o tratamento.
Pior sorte teve Márcio Hubner, de 27 anos, que veio de São Bento do Sul, Santa Catarina. Depois de consultar seis médicos, ele já tinha amputado um dedo do pé e apresentava necrose nos outros. No HC, fez uma consulta de manhã, foi encaminhado para avaliação do setor de cirurgia vascular, às 14h30 e acabou saindo do hospital com as guias de internação na mão para se submeter a uma cirurgia, mas ainda terá de aguardar pela vaga. Quem precisa ser internado de emergência, aliás, é obrigado a esperar muito. Em macas instaladas em duas salas, ou mesmo nos corredores, os pacientes mais graves atendidos no PA ficam em observação ou aguardam por um leito. ‘‘Quando não tem vaga, as pessoas são encaminhadas para a Central de Leitos, que tem o controle de todas as vagas de Curitiba. Se não existe leito em nenhum lugar, elas ficam aguardando aqui’’, explica o diretor Ramos Filho.
Anderson Pereira Leão, 21 anos, chegou no PA por volta 21 horas de quinta-feira, com uma crise de bronquite. Fez inalação e continuava em observação as 10 horas de sexta. Eleandro Moura da Silva, de 18 anos, chegou às 5 horas com dor nas pernas e sem poder andar, fez exames de sangue e urina, e também esperava, no final da manhã, para ver se seria internado.
O HC tem uma média de 1.800 internações por mês, entre pacientes encaminhados pelo PA e pelo setor cirúrgico. Só no PA, segundo Ramos Filho, aproximadamente 5% dos pacientes são hospitalizados, o que significa 20 internamentos por dia. (M.G.)

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