Vaga no Centro vira artigo de luxo
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segunda-feira, 23 de julho de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Os motoristas de Londrina estão à beira de um ataque de nervos. Quem dirige pelas ruas da cidade, em especial na Área Central, sente na pele as consequências do excesso de veículos em ruas estreitas e com número de vagas insuficientes para tanta gente parar o carro. Acidentes e congestionamentos passaram a fazer parte da rotina, além do estresse de ter de lidar diariamente com flanelinhas ou com os orientadores da Zona Azul.
Estacionar com tranquilidade no Centro virou artigo de luxo. É preciso estar disposto a desembolsar uma boa quantia para parar nos estacionamentos particulares ou ter paciência para lidar com os cuidadores de carros. Essa disputa por espaço é resultado, principalmente, do aumento da frota. Em dezembro de 2006, por exemplo, a cidade contabilizava 220 mil veículos. No mesmo mês em 1994, esse índice girava em torno de 133 mil. Os números são do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).
Grande parte desses veículos circula diariamente no quadrilátero central, delimitado pelas avenidas Leste-Oeste, Higienópolis, JK e Duque de Caxias. Nessa área são 3.080 vagas, divididas entre Zona Azul (1.351), livres (973), motos (300), entre outras, como as destinadas para cadeirantes, polícia, táxi, entre outras reservas.
Uma frota desse tamanho garante uma boa freguesia para os estacionamentos particulares da Área Central. De acordo com o funcionário de um estabelecimento na Rua Piauí, Edgar Gonçalves, a clientela é garantida, apesar do grande número de concorrentes. Ele comenta também que é comum ouvir dos motoristas queixas sobre o trânsito e a despesa para estacionar, mas considera que os valores praticados atualmente são ''bons tanto para os clientes quanto para os estacionamentos.'' ''Os londrinenses têm que entender que moram numa cidade grande e que é comum essa dificuldade no Centro'', declara.
O problema é que essa dificuldade tende a agravar-se. Além do crescimento rápido da frota, a tendência é que o número de vagas nas áreas críticas fique cada vez menor. A medida de transformar vagas de estacionamento em faixas de rodagem, de acordo com o presidente do Ippul, João Baptista Bortolotti, é necessária para melhorar o tráfego em pontos de estrangulamento.
Moradora do Centro, a advogada Célia Regina Pereira, 47 anos, é uma das motoristas afetadas diretamente pela redução das vagas. A perda de espaço após a instalação da 17 Regional de Saúde na Rua Piauí, que exige a reserva de vagas para ambulância, tornou ainda mais difícil para ela parar perto de casa.
''É sempre muito complicado. Principalmente para quem mora ou trabalha no Centro e precisa estar sempre aqui'', constata. E ela aponta uma medida que pode ser o início de uma provável solução para a falta de vagas: a regulamentação dos estacionamentos. A ação serviria, segundo a advogada, para evitar abusos como a ocupação irregular de vagas para carros por motoqueiros. Situação, aliás, flagrada por Célia Regina enquanto conversava com a reportagem no início da tarde de ontem.
O abuso de quem anda de moto, no entanto, está longe de ser a única infração de trânsito verificada na Área Central e motivada pela escassez de vagas. Motoristas parados em fila dupla ou em locais proibidos também são comuns.


