Pais de crianças com até seis anos de idade têm um compromisso com a saúde de seus filhos durante essa fase da vida. Nos primeiros anos, os pequenos precisam tomar as vacinas previstas no calendário básico de vacinação estabelecido pelo Ministério da Saúde. As primeiras doses são oferecidas ainda na maternidade. O calendário pode ser completado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que oferecem a proteção gratuitamente.
A vacinação é importante para defender o organismo da criança contra doenças que costumam ser mais comuns na infância e podem deixar sequelas ou até levar à morte. ''A vacina simula a doença e 'explica' ao organismo como ele deve se defender, criando células de memória'', esclareceu Sônia Fernandes, gerente de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde.
Ainda na maternidade, a criança recebe a primeira dose contra a hepatite B, aplicada preferencialmente antes das 12 horas de vida. A pressa visa evitar que a doença seja transmitida através da placenta caso a mãe seja portadora. Outras doses são aplicadas no primeiro e no sexto mês de vida, para garantir a imunização. Também na maternidade, o bebê é vacinado contra a tuberculose. A prática não protege contra a forma pulmonar da doença - mais comum e fácil de tratar - mas previne contra a tuberculose miliar e a meningite por tuberculose, que atingem principalmente os menores de cinco anos.
Aos dois, quatro e seis meses, são aplicadas as três doses das vacinas tetravalente (difteria, tétano, coqueluche e meningite pelo hemófilus) e contra poliomelite. A imunização é dividada em três fases porque o organismo, para produzir resposta à doença, precisa de vários estímulos. ''É nessas idades que a resposta à vacina é mais eficiente'', completa Sonia, lembrando que as duas doenças incidem principalmente em crianças abaixo de cinco anos. No caso da poliomelite, as três doses visam, ainda, produzir memória imunológica contra os três subtipos do vírus.
Com um ano de idade, o calendário estabelece a imunização contra rubeóla, caxumba e sarampo, disponíveis em uma única vacina chamada de tríplice viral. É também ministrada a anti-amarílica, contra febre amarela. No caso da rubéola, a preocupação maior, ao imunizar a criança, é proteger as gestantes que convivem com ela e que poderiam ser contaminadas. Nos primeiros três meses de gravidez, a rubéola pode causar má-formação no feto, através da chamada Síndrome da Rubéola Congênita.
Quando a criança completa uma ano e oito meses, recebe o reforço contra difteria, tétano e coqueluche (tríplice bacteriana) e poliomielite. De quatro a seis anos, deve ser novamente imunizada com a tríplice bacteriana e a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). É aconselhável fazer reforço contra febre amarela e tétano a cada dez anos.
Além das doenças previstas no calendário básico de imunização, clínicas particulares oferecem várias possibilidades de vacinas extras. Segundo Sônia, a aplicação deve ser discutida com o pediatra, pois algumas têm custo elevado e não garantem a imunização. As vacinas contra a varicela (catapora) e a hepatite A estão sendo estudadas pelo Ministério da Saúde e podem ser incorporadas ao calendário por causa da incidência significativa das doenças na população infantil.
A gerente de epidemiologia lembrou que algumas vacinas podem causar reações no organismo. Febre e irritação são os sintomas mais comuns em crianças imunizadas contra hepatite B e, principalmente, coqueluche. Uma em cada um milhão de doses aplicadas da tetravalente pode resultar em reações neurológicas como crises convulsivas, que são reversíveis. ''Em Londrina, um serviço vinculado ao Ministério da Saúde controla os casos de reação vacinal e orienta os pais'', disse. Em caso de dúvida, a dica é retornar à Unidade Básica de Saúde para receber informações.

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