Londrina - Depois de um ano de pandemia que apavorou nações do mundo inteiro, o controle da gripe A pode estar prestes a acontecer. Tanto que países como os EUA já começaram a imunizar uma parcela da população. No Brasil, o Ministério da Saúde deve anunciar este mês quando e quem vai receber a dose da vacina contra o vírus H1N1 neste ano. Estima-se que cerca de 40 a 60 milhões de vacinas serão compradas.
Até agora divulgou-se que apenas a rede pública iria disponibilizar a vacina a um grupo prioritário. Porém, ao que tudo indica, clínicas particulares também devem incluir a dose em sua lista. Segundo o médico infectologista e imunologista José Luís Baldy, possivelmente em fevereiro ou março as doses começam a chegar. ''Ainda não se falou em valor, mas a expectativa é de que esteja próxima do preço da vacina da gripe sazonal'', informa.
O médico, que trabalha com vacinas desde 1968, e há 36 anos está à frente de uma das mais antigas clínicas de Londrina, alerta para a importância da imunização. ''A vacina é a única forma de impedir a evolução de doenças, como a gripe A, até conseguir eliminá-la. Do contrário, a população está totalmente vulnerável.'' Apesar da iniciativa, ele lembra que a ampla divulgação da gripe, não acontece com outras doenças, principalmente suas formas de prevenção.
De acordo com ele, a falta de informação prevalece, ainda mais para pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). ''Posso dizer que o Brasil é um dos países mais avançados com relação ao Programa Nacional de Imunizações. Mas, ainda assim, não comtempla uma série de vacinas que são importantes para a saúde da população. O serviço apresenta várias limitações'', observa.
''O maior problema talvez não seja o fato de o Governo não incluir essas vacinas em seu calendário, mas não divulgar que elas existem. Até mesmo porque estamos falando de vacinas licenciadas pela Anvisa, ou seja, não são contrabandeadas. Hoje, as clínicas possuem inúmeras vacinas de doenças consideradas simples, mas que ainda matam, como a varicela (catapora) e hepatite A, por exemplo. É direito do cidadão saber se quer ou se pode custear a imunização.''
Tanta preocupação do especialista se confirma pelo fato de sobrevida da população ter aumentado muito nas últimas três décadas. ''A varíola é uma doença eliminada pela vacinação, assim como o sarampo - há mais de dez anos não se registra um caso - e a paralisia infantil, que está sob controle há quase 20 anos. Além disso, as vacinas auxiliaram em outras doenças que não estão eliminadas, porém, obtiveram uma redução brutal nos números. O tétano chegou a matar milhões. Atualmente, temos dezenas de casos no ano. Definitivamente, a vacina trouxe e ainda traz benefícios imensuráveis'', pontua Baldy.
Ao mesmo tempo, o médico lembra que muitas clínicas não tem profissionais preparados para o procedimento. ''Ainda vemos muita improvisação relacionada ao manuseio, armazenamento, aplicação, além da questão da qualidade da vacina, pois não há um controle efetivo. Digo sempre que vacinar nem sempre significa imunizar. Muita gente está pagando, mas não está recebendo pelo 'medicamento'. Por isso, a importância de estar atento.''

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