Vacinação antirrábica deve ser mantida
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Na última semana, pelo menos dez animais, entre cães e gatos, morreram após serem vacinados em campanhas gratuitas de vacinação antirrábica nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. O fato acabou gerando uma discussão sobre a qualidade das vacinas.
A Secretaria de Saúde de São Paulo recomendou às prefeituras que suspendam a vacinação por tempo indeterminado. Já o Ministério da Saúde (MS), que distribui as vacinas, emitiu nota afirmando que a campanha deve ser mantida no País, sob o argumento de que a taxa de 0,0029% de casos fatais está abaixo do que é considerado uma situação de anornalidade.
A Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa) confirmou que recebe a mesma vacina do MS, disponibilizada para bloqueio vacinal no caso de focos da doença. Segundo a médica veterinária Márcia Zinelli da Silveira, do Programa Estadual de Controle da Raiva, o Paraná só mantém campanhas de vacinação na região de Foz do Iguaçu e Toledo, em 25 municípios pertencentes às 9º e 20º regionais de Saúde. Houve reação em alguns animais, mas os profissionais ressaltam que os donos não devem suspender a imunização. (leia mais nesta página).
A vacina usada na campanha deste ano, produzida pelo Laboratório brasileiro Biovet, não é a mesma de anos anteriores. O MS optou por utilizar um produto considerado mais moderno e eficiente em substituição à vacina usada até 2008. Trata-se de uma vacina produzida em cultivo de células, sem uso de cobaias, método recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Seu período de proteção é de um ano, contra seis a sete meses da vacina anterior.
Por meio de nota, a Biovet, fabricante desde 2003, defende a qualidade das vacinas. Já o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), fornecedor exclusivo das vacinas para o MS há mais de 30 anos, afirma não ter responsabilidade sobre as vacinas produzidas este ano. Segundo o Tecpar, que fornece 35 milhões de doses por ano ao MS, para fazer a nova vacina, o instituto está trabalhando em conjunto com a Biovet. Este ano, no entanto, as doses foram fornecidas apenas pela Biovet. Só em 2011 o produto sairá com a marca Tecpar/Biovet.
A imunização que causou as reações adversas é nacional e chamada no meio veterinário de ''não ética''. Isso não tem a ver com a qualidade do produto, mas com o fato de ser vendida livremente em estabelecimentos que comercializam produtos animais. Já os medicamentos de laboratórios estrangeiros são chamados de ''éticos'' porque só veterinários podem adquiri-los. Não há unanimidade entre os veterinários sobre a equivalência de qualidade entre os dois produtos.


