Vacina pode ter causado paralisia
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sexta-feira, 04 de dezembro de 1998
Adriana Ribeiro 
Internado desde a noite de segunda-feira, no Hospital Evangélico, em Curitiba, o pedreiro Agnaldo dos Santos, 23 anos, está com paralisia nas pernas e parte do tronco. A família afirma que o problema foi provocado pela vacina tríplice viral, que o rapaz tomou no dia 24 de outubro, num terminal de ônibus. Segundo a mulher de Santos, Jaqueline Terezinha Cornelli dos Santos, desde que foi hospitalizado o marido fez vários exames que comprovam que houve uma reação ao medicamento aplicado durante a campanha contra o sarampo. O doutor Samuel disse que os exames mostram que é por causa da vacina, garante, referindo-se ao médico que os atendeu.
Jaqueline teme pela saúde do marido. Ela diz que o médico informou que, de cada mil pessoas que apresentam o mesmo problema (ela não soube dizer qual), apenas 100 conseguem voltar a andar depois de um longo tratamento de fisioterapia. Se Santos não se recuperar e for provado que a doença surgiu por causa da vacina, Jaqueline garante que vai exigir que a Secretaria Estadual da Saúde ou o Ministério da Saúde assumam a responsabilidade pelo tratamento do marido. Foram eles que resolveram fazer a campanha e exigiram que funcionários pegassem as pessoas nos terminais de ônibus, na rua.
Ontem, a imprensa foi impedida de entrar no Hospital Evangélico por determinação da diretoria clínica. Nem a direção e nem o médico responsável pelo tratamento de Santos falariam sobre o assunto, segundo um dos atendentes na portaria.
Jaqueline Santos conta que o marido tomou a vacina e quatro dias depois passou a sentir dores nas costas. Ele procurou o posto de saúde próximo da Vila Pompéia, onde mora, e foi informado que poderia ser um mau jeito. Só que as dores foram aumentando e na segunda-feira pela manhã ele foi trabalhar e começou a ficar ruim no ônibus, diz. Agnaldo voltou para casa e depois foi levado pela família até o Evangélico. Novamente foi medicado, mas como não melhorou, precisou ser encaminhado novamente ao hospital.


