As reações adversas decorrentes da vacina tríplice viral, aplicada em Curitiba e oito municípios da Região Metropolitana, durante a Campanha contra o Sarampo, estão assustando a população. O caso mais grave é de Melissa Tatiana Soares, de 18 anos, que entrou em estado de coma. Outro caso é da estudante Desirée Ribeiro Soares, 19 anos, que está internada com meningite e caxumba. O pai da menina, Celso Ribeiro Soares, questiona a qualidade da vacina usada na campanha e pensa em processar o Estado.
Segundo o neurologista do Hospital Nossa Senhora das Graças, Cléverson Macedo Gracia, Melissa Tatiana Soares foi encaminhada ao hospital no dia 12 de novembro, por agravamento de uma romboencefalite - inflamação do tronco cerebral, decorrente de complicações causadas pela vacina tríplice. Ele diz que o fato de a doença ter se manifestado em 15 e 20 dias depois que ela recebeu o medicamento, aliado à idade da jovem, ‘‘apontam coincidências que permitem dizer que a doença foi causada pela vacina’’. O neurologista afirma que sua conclusão se apoiou em literatura médica que prevê a manifestação da doença como uma espécie de ‘‘alergia’’ à droga.
O médico Cléverson Gracia conta que cinco a dez pessoas são atendidas diariamente no Hospital Nossa Senhora das Graças com efeitos colaterais semelhantes, embora em menor intensidade que em Melissa, o que reforça sua suspeita. ‘‘Entretanto, acredito que a chance de casos como estes se repetirem seja pequena, porque depende da sensibilidade de cada um’’, diz.
A mãe de Melissa, Lúcia Soares, diz que a filha chegou a perder todos os movimentos do corpo e não conseguia respirar, necessitando ser ligada a aparelhos para continuar viva. A irmã de Melissa, Leila Nara Soares, conta que a doença evoluiu muito rápido. Ela avisa que se Melissa apresentar sequelas depois do tratamento, pretende acionar judicialmente os responsáveis. ‘‘Senão, vão esperar morrer um para que tomem providências’’. O médico de Melissa, o neurologista Cleverson Macedo Gracia, informa que os aparelhos que ajudam Melissa a respirar devem ser retirados hoje ou amanhã e que até o fim de semana a garota deve deixar a UTI. Dependendo da evolução da paciente, ela pode ter alta nos próximos dez dias e voltar para casa.
A outra garota que teve que ser internada, Desiree Ribeiro, tomou a vacina há dez dias. Ela está no Hospital Evangélico e dentro de mais dez dias também deve receber alta. O pai dela contou que a estudante tomou a vacina e dias depois apresentou alguns sintomas, como caroços e manchas na pele, seguidos de mal estar. Ela precisou parar de ir ao cursinho, onde se prepara para o vestibular. Desiree cosultou um médico, mas seu estado se agravou por fortes dores de cabeça. Na madruga de sábado, a família a levou para o Hospital Evangélico, onde ficou internada.
Para Celso Ribeiro, as reações são decorrentes da qualidade da vacina usada na campanha. ‘‘No dia em que ela foi levada ao hospital, o médico comentou que o hospital estava cheio de pacientes com os mesmos sintomas. Ele chegou a usar a seguinte frase: ‘‘estão usando vacinas de fundo de quintal’’, comenta. Ribeiro acredita que o número de casos de meningite divulgados pela Secretaria da Saúde não é verdadeiro.Mauro FrassonA mãe da garota que está em coma, Lúcia Soares, diz que Melissa perdeu todos os movimentos do corpo e não conseguia respirar. A família reclama de não ter sido avisada da possibilidade dos efeitos colaterais e, se houver sequelas, diz que vai entrar na Justiça contra o Estado.Pais revoltados com efeitos colaterais da vacina tríplice dizem que vão entrar na Justiça contra o Estado

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