Não há previsão para a chegada de doses de vacina contra hepatite B nos postos de saúde de Londrina. O medicamento está faltando desde maio deste ano e o problema deve persistir ainda no início do ano que vem. Crianças que estão com menos de um ano são as principais prejudicadas, já que as três doses da vacina são dadas aos dois, quatro e nove meses de vida. A responsável pela Divisão de Epidemiologia da Autarquia Municipal de Saúde, médica Marisa Galimberti, diz que o produto é adquirido pelo Governo Federal através de laboratórios estrangeiros e lembra que a falta ocorre por ‘‘problemas de fornecimento’’.
‘‘A última informação é que a vacina já tinha sido comprada pelo governo, mas estava em fase de análise para liberação’’, informa. O problema, lembra, afeta todo o Brasil.
A bordadeira Rina Ferraris Gonçalves, que mora no centro de Londrina, diz que o neto, Gabriel, de seis meses, ainda não tomou nenhuma dose da vacina. ‘‘Hoje (ontem) liguei para vários postos e nenhum tinha o medicamento’’, reclama. Ela diz que vai esperar uma semana para ver se o produto chega na Cidade. Caso contrário, vai procurar uma clínica particular e vacinar a criança. ‘‘Uma clínica particular está cobrando R$ 25 pela dose da vacina. A gente ainda vai dar um jeito e pagar. Mas as pessoas que não podem?’’
Só entre as crianças atendidas pelo posto de sáude do jardim Guanabara (zona oeste), cerca de 200 estão com as doses atrasadas, informa a coordenadora da Unidade, enfermeira Ana Lúcia Machado Carrion.
Marisa Galimberti comenta que a hepatite B é uma doença mais comum na idade adulta, ‘‘quando começa a atividade sexual’’. Ela diz que a aplicação das doses na primeira infância acontece mais por uma estratégia do governo, já que nessa época que as crianças são imunizadas da maioria das doenças. ‘‘Quando se optou por isso, sabia-se que os resultados são observados só 15 ou 20 anos depois.’’

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