Maringá - É bem verdade que naquele dia a moça estava ''mastigando ar'' de nervosa. Mas, enfim, era necessário ir ao banco pagar uma fatura do plano de saúde. Quando a moça entrou na agência deu de cara com uma enorme fila. Se conseguisse sair dali em 40 minutos teria tido muita sorte. Ocupou o último lugar e percebeu que um dos caixas atendia uma pequena fila. O motivo estava na pequena placa: ''Caixa exclusivo de clientes''. A moça não pensou duas vezes, invocou o princípio constitucional da igualdade e trocou de fila. Em poucos minutos chegou a sua vez.
Quando entregou a fatura de pagamento ao caixa, a funcionária se negou ao atendimento e ainda indagou:
- A ''senhora'' tem conta aqui.
- Não, respondeu secamente a moça.
- Então faça o favor de se dirigir para a fila ao lado.
O sangue subiu na cabeça da moça.
- Não, não vou. Em seguida começou um discurso legalista.
- Vocês estão pensando o quê? Não sabem que é proibido a discriminação com caixa exclusivo para clientes e não clientes. Em qualquer empresa do mundo sempre é o cliente em primeiro lugar e, além de ganhar dinheiro às nossas custas, o pessoal deste banco não sabe tratar bem um consumidora...E assim foi indo o discurso da moça.
Nesse meio tempo, as pessoas que estavam na fila enorme começaram a se voltar contra a moça querendo impedir o atendimento dela já que todos estavam na fila havia muito tempo. A moça ficou ainda mais irritada. Afinal, ela esperava apoio pela exigência do direito e não o contrário.
- Não, não saio daqui, gritava.
Observando o tumulto, o gerente resolveu intervir e pediu ao caixa para que a atendesse na tentativa de apagar o incêndio na agência bancária. Logo após o atendimento - que não durou nem dois minutos - as pessoas que esperavam na enorme fila começaram a tirar um ''sarrinho'' da moça.
- Vão todos para aquele lugar, bradou a moça e persistiu no discurso.
- É por isso que o Brasil continua desse jeito. É por isso que as filas em bancos são enormes....Porque ninguém exige nada e aceita este tratamento destas instituições que só sabem ganhar dinheiro sem retorno algum para a população...E assim foi.
Quando se preparava para sair, pelo menos duas mulheres (logo, as mulheres, pensou desolada a moça) da enorme fila não perdoaram e em coro gritaram repetidas vezes:
- Vá sua mal amada. Mal amada...Mal amada...Mal amada.

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