Uvas garantem prosperidade em Marialva
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sexta-feira, 11 de novembro de 2005
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Sucos de uva, uvas geladas, vinhos. Para quem sai de Londrina a caminho de Maringá é comum encontrar placas na estrada indicando pontos de vendas desses produtos.
As uvas comercializadas em todo o Paraná, além das capitais Curitiba, Belo Horizonte e Brasília, são frutos do trabalho de centenas de famílias de Marialva (17 km a leste de Maringá).
A bela cidade de 31 mil habitantes não é conhecida como a Capital da Uva Fina de Mesa à toa. O agronegócio uva proporciona qualidade de vida para os moradores. Alguns dizem que ''sem a uva, a cidade não seria tão feliz''.
Na opinião do produtor João Obici, há 15 anos no ramo, ''só não se dá bem com a uva quem não quer''. Ele admite que são comuns os momentos de dificuldade em que os preços não colaboram, mas ainda assim as pessoas podem viver muito bem só com a produção de uva. ''Eu, especificamente, não produzo só uva. Tenho soja e também gado de leite. Mas aqui em Marialva os produtores têm muitas chances, basta saber administrar'', diz.
No sítio de Obici, além da uva Itália, são cultivadas uvas Rubi, Benitaka e Niagara. Segundo o produtor, todas as especialidades são valorizadas, mas no final do ano a procura pela uva Itália aumenta significademente. ''A Rubi é comercializada em grande quantidade durante o ano todo. A Niagara é mais rústica. Este ano tem tudo para ser bom'', salienta.
É com muito orgulho que o produtor Benício Bonifácio contabiliza o tempo que produz uva em Marialva: ''Eu mexo com uva desde 1969, há 36 anos''. Proprietário de um comércio localizado na rodovia que dá acesso à Marialva, o produtor não vende só as uvas que produz, mas também de outros produtores. ''A comercialização é muito boa. Meus filhos que tomam conta do negócio e eu cuido da propriedade'', comenta.
Na opinião de Bonifácio, ''a cidade de Marialva é muito alegre'' por causa da uva. Além disso, muitos visitantes são atraídos à cidade pela beleza dos parrerais. ''Aqui é bonito. É incrível como tem construções para todos os lados na cidade. Grandes produtores investem aqui. As pessoas já se acostumaram com a uva e isso proporciona alegria em todos'', ressalta.
De acordo com a engenheira agrônoma Sílvia Capelari, da Emater de Marialva, a qualidade de vida na região é muito boa. Na opinião dela, os produtores não deixam a produção de uva ''por nada''. ''Principalmente para o agricultor familiar, a produção de uva sempre foi um ótimo negócio. Nas últimas safras temos tido algumas reclamações quanto ao preço, mas na verdade isso não é só com a uva, todo o mercado agropecuário passa por fases como essas'', diz Sílvia.
A região, de terras bem valorizadas, se caracteriza pelo predomínio das pequenas propriedades e agricultura intensiva. ''Houve uma reforma agrágria natural na região, o que possibilitou que hoje, cerca de 70% das propriedades têm até 1 hectare'', diz a agrônoma. ''Pessoas que trabalhavam como empregados foram conseguindo comprar a própria terra quando o quilo da uva era de 1 dólar. Hoje esses os produtores moram bem, têm carros e muitos bancam os estudos dos filhos nas universidades. A renda? vem da uva.


