UTIs têm dificuldades de manter doadores vivos
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de dezembro de 1996
Elisa Marilia<bR>Da Sucursal 
No Paraná, as centrais de transplantes ainda enfrentam obstáculos que vão além da organização e estrutura das próprias centrais. As UTIs dos hospitais ainda não têm infra-estrutura para manter os possíveis doadores, ou seja, as pessoas com morte encefálica diagnosticada, em condições ideais para os transplantes, adverte a coordenadora da central em Curitiba, Cristina Glehn.
O 1º Encontro Nacional das Centrais de Transplantes que termina hoje em Curitiba discutiu também a interligação das nove centrais do País. A proposta é usar a Internet para a comunicação on-line entre as centrais. No início do ano que vem começam os testes de comunicação.
A grande maioria dos hospitais não tem um coordenador de transplantes. Em Curitiba apenas o Hospital de Clínicas mantém uma comissão responsável por esses processos. Precisa haver uma sincronia perfeita entre o momento da autorização da família do doador até a realização da cirurgia no receptor, diz Cristina. Este ano foram realizados 200 transplantes no Paraná.
Cada doador pode beneficiar até outras 22 pessoas, doando os seus órgãos. A distribuição desses órgãos segue um rigoroso critério de prioridades. As crianças são as primeiras da lista, depois vêm os casos mais urgentes das diversas listas de espera. Todos os detalhes devem ser estudados como a altura, o peso e sexo além da compatibilidade sanguínea.
A central de Curitiba realiza uma busca telefônica nos hospitais duas vezes por dia, todos os dias. Se houver casos de morte encefálica as equipes técnicas, compostas de 18 profissionais, são alertadas e o processo de transplante começa apenas depois da autorização da família.
As informações coletadas desde o início das atividades da central de transplantes em dezembro de 95 até agosto de 96, mostraram que neste período foram notificados 212 casos de morte encefálica e outras mortes para doação de córneas. Dessas notificações 112 (53%) foram feitas de forma espontânea pelas UTIs, 85 (40%) foram captadas através da busca ativa e 15 (7%) de outros Estados.
O governo pretende instalar no começo do próximo ano as centrais de transplantes de Londrina e Maringá.


