Mônica Kaseker

Albari RosaFalta de recursosSUS repassa R$ 40,00 para cobrir a diária na UTI neonatal - metade do custo real, segundo os hospitais. A falta de equipamentos e pessoal contribui para o índice de 11,7 mortes para cada mil nascidos vivos em CuritibaMaternidades de Curitiba também correm o risco de viver tragédias como a do Rio de Janeiro, onde morreram 71 bebês em apenas 31 dias. Até agora, as nove maternidades que atendem pelo SUS na cidade são consideradas modelo de referência, como era a maternidade Alexander Fleming no Rio. Não há registros de mortalidade comparáveis ao caso carioca, mas a superlotação, a falta de equipamentos de UTI para recém-nascidos, de pessoal e de recursos estão no limite. O alerta é do presidente da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), José Francisco Schiavon.
A Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) não aliviou a situação - serviu apenas para o pagamento dos repasses em atraso, mas agora que poderia corrigir um pouco da defasagem da tabela de procedimentos do SUS nada está sendo feito. ‘‘A correção ficou para o mês de maio, mas as vidas não podem esperar’’, diz o presidente da Fehospar, que também é vice-presidente da Confederação Nacional dos Hospitais. Além disso, para o Orçamento deste ano a CPMF deve gerar cerca de R$ 7 bilhões, enquanto o governo federal deixará de repassar R$ 1,5 bilhão dos recursos que normalmente iriam para a Saúde.

DedicaçãoA enfermeira Marli Godinho Suczeck com Monique, que nasceu com 580 gramas, já ganhou um quilo e deve receber alta em duas semanas: realização pessoal eO SUS repassa R$ 118,00 por parto e a diária para leitos na UTI neonatal não chega a R$ 40,00, o que segundo Schiavon representa menos da metade do que seria necessário para cobrir os custos. Nas maternidades particulares a excelência dos serviços é mantida, mas dificilmente uma família consegue manter um bebê na UTI neonatal pagando a diária durante todo o tempo necessário, que pode chegar a três meses. Em alguns casos, a diária chega a custar R$ 2 mil. A correção da tabela do SUS vem sendo reivindicada há dois anos.
Curitiba tem nove maternidades conveniadas ao SUS, com 433 leitos. Apenas três delas atendem casos de alto risco, o que totaliza 36 leitos de UTI neonatal. Os casos de risco reprentam em média 1% dos nascimentos. São bebês que precisam de respiradores, monitores cardíacos e de pressão, berços aquecidos. Em 96, a Secretaria Municipal da Saúde registrou 337 mortes de bebês com menos de 28 dias, representando um coeficiente de 11,7 mortes para cada mil nascidos vivos. Na região metropolitana, a Secretaria Estadual da Saúde registrou 702 mortes no período neonatal, atingindo um coeficiente de 12,7 mortes a cada mil nascidos vivos.
Para o presidente do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Infantil, Nereu Henrique Mansano, os números estão distantes do que seria ideal, mas a mortalidade neonatal vem se mantendo estável e até caindo discretamente no Estado, apesar do crescimento da população. Para reduzir os índices de mortalidade neonatal, o Programa Protegendo a Vida vem fornecendo equipamentos para os municípios-pólo de cada região e treinando pessoal. Outro projeto, segundo a diretora de Vigilância Sanitária, Mariângela Galvão Simão, é diminuir o número de cesárias no Estado, que chegam a representar 60% dos partos. As cesárias pesam no índice de bebês prematuros, com problemas respiratórios.
Segundo a chefe da Coordenação de Diagnóstico em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, Karin Luhm, a cidade conseguiu reduzir o número de casos de membrana hialina, uma doença que dificulta a respiração do recém-nascido por causa da prematuridade. O pulmão não está amadurecido e o bebê precisa de um medicamento chamado surfactante pulmonar, que facilita a respiração. Esta é uma das maiores causas de morte de recém-nascidos. A prefeitura já distribuía o surfactante dois anos antes de o medicamento ser incluído na tabela do SUS. Cada ampola custa R$ 400,00 e um bebê chega a necessitar de duas a quatro ampolas.

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