Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
Depois de cinco meses em restauração, o último exemplar de bonde elétrico que circulou em Curitiba deve ser instalado na Praça Tiradentes ou Generoso Marques até o fim do ano. O veículo será usado com finalidades turísticas, que não foram detalhadas pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), responsável pela utilização do bonde no projeto de revitalização do centro da cidade. Foi descartada a instalação do modelo restaurado, que circulou até a metade de 1952, no lugar onde está o ‘‘Bondinho da XV’’ que, na realidade, só trafegou nas ruas de Santos (SP).
A restauração do Birney, de fabricação americana, está pronta há 15 dias. Só falta a pintura externa dos anúncios publicitários iguais aos que eram usados na época. A reforma foi feita por quatro funcionários da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), coordenados pelo mecânico e pesquisador ferroviário Carlos Dias Correia Augusto. Os custos da recuperação, estimados em R$ 50 mil, foram pagos pelo Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Curitiba.
Externamente o bonde ficou com as cores originais usadas até a década de 50. O teto é num tom grafite, e o restante do veículo bicolor, amarelo e branco. Todos os equipamentos metálicos e de marcenaria foram refeitos na própria oficina da antiga RFFSA. O restaurador se baseou em fotografias antigas para manter a originalidade das peças. ‘‘O que nos facilitou um pouco foi a utilizar materiais modernos, como a massa plástica e tintas especiais, que vão conservar o veículo para que ele possa ficar exposto ao ar livre’’, salienta Correia. A preocupação com atos de vandalismo também foi priorizada. O acrílico inquebrável substitui alguns moldes de vidro. Outros equipamentos originais, fabricados em bronze, foram pintados.

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