Utilização de jornais nas
escolas começou nos EUA
O primeiro projeto de jornal na escola surgiu em 1932, nos Estados Unidos. Adotado pelo New York Times, consistia, inicialmente, apenas no fornecimento de parte do encalhe para um número aleatório de escolas da cidade de Nova York, como recurso e suplemento de material para leitura em salas de aula. Exemplos semelhantes foram surgindo também na Europa pós-guerra. Mas foi na Alemanha, no início da década de 70, que o jornal de Karlsruhe, cidade do sul do país, inovou em metodologia distribuindo, além do encalhe, reprints das reportagens que despertavam maior interesse dos estudantes.
Na América Latina, o exemplo mais importante vem da Argentina. O periódico El Clarín passou a realizar a distribuição do encalhe de maneira dirigida e, além de conquistar benefícios e incentivos do governo, conseguiu também que o projeto fizesse parte do currículo escolar.
No Brasil, a iniciativa partiu dos jornais Folha e O Estado de S.Paulo (SP), O Globo (RJ) e Zero Hora (RS) que, na início dos anos 80 promoveram a distribuição de encalhes para as Secretarias de Educação, que os distribuíam às escolas.
Hoje, um grande número de jornais brasileiros filiados à Associação Nacional de Jornais-ANJ integra e recebe orientação metodológica adotada pelo Programa Jornal na Escola, desenvolvido pela entidade.
O Projeto Cidadania, criado em 1994 em parceria com o Núcleo de Apoio Técnico Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação de Londrina, com apoio de empresas privadas locais, participa anualmente da convenção organizada pela ANJ para a discussão dos modelos, métodos de utilização e avaliação dos resultados e técnicas desenvolvidas nas escolas.
É também exemplo de como, através da leitura orientada do jornal do dia (é o único no Brasil que não utiliza o encalhe), o jovem estudante participa mais intensamente dos assuntos da comunidade, possibilitando o aprimorando do espírito crítico em relação aos principais acontecimentos do mundo contemporâneo e promovendo o resgate da sua cidadania.
O objetivo maior do Cidadania, segundo Carlos Dotto, gerente do Departamento de Assinaturas e também coordenador do Projeto, é proporcionar aos alunos das 3ª , 4ª e 5ª séries, da rede pública de ensino parananense, o contato direto com textos jornalísticos e fatos que ofereçam um alargamento da oferta de bens culturais e a abertura de novos horizontes e conhecimento.
‘‘O projeto desenvolvido pela Folha é bem mais que a distribuição de jornais nas escolas. É um trabalho voltado para a formação do cidadão. É a oferta em possibilidades de recursos didáticos-pedagógicos que auxiliam na transformação do indivíduo alfabetizado em indivíduo informado’’, define Dotto.
Ligia Barroso

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