UTI será treinada para transplantes
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de dezembro de 1997
Carina Paccola Londrina 
Profissionais que trabalham nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos hospitais da região de Londrina vão receber treinamento de manejo e controle do potencial doador de órgão, a partir da primeira quinzena de janeiro. O treinamento faz parte do trabalho da Central Regional Norte de Transplantes, que foi inaugurada ontem de manhã, na 17ª Regional de Saúde, em Londrina.
A enfermeira Elza Lara Bezerra, uma das coordenadoras da Central, afirma que os funcionários vão aprender a manter hemodinamicamente os pacientes que tenham morte encefálica, ou seja, com os órgãos vitais em perfeito funcionamento. De acordo com Lara, dos nove hospitais com UTI da regional, cinco receberão treinamento. Os outros quatro são de Londrina e já têm o suporte necessário - equipamentos e recursos humanos preparados - para esse manejo.
O coordenador médico da Central, Marco Aurélio de Freitas Rodrigues, afirma que a busca diária aos hospitais, atrás de doações, deve aumentar o número de transplantes em Londrina. Em todas as cidades onde se implantam centrais, a resposta sempre é muito boa, diz. Segundo ele, na região de Londrina, há cerca de 200 pacientes na lista de espera para transplante de rim. Todo ano, entram em diálise de 30 a 40 pacientes. Em média, são feitos de 30 a 40 transplantes renais por ano. Por isso, não há aumento na lista de espera.
Os pacientes que precisam de córnea também são cerca de 200 na região. A demanda por transplante de coração é de 10 a 15. Em 1996, foram feitos em Londrina seis transplantes cardíacos. O tempo de vida de um paciente à espera de um coração é de seis meses, em média. Um paciente renal crônico tem uma sobrevida média de sete anos. De acordo com Rodrigues, hoje o maior tempo de diálise de uma paciente em Londrina é de sete anos.
Rodrigues, que também atuava na Central de Procura de Órgãos para Transplantes (Cepot), afirma que ainda não foi definido oficialmente um papel para a Cepot, que funcionava no Hospital Universitário. A entidade contava com o trabalho voluntário de funcionários do HU. Segundo ele, a Cepot não tinha material, espaço físico nem pessoal específico para se dedicar a esse serviço. A Cepot deve ser extinta, já que agora temos a Central de Transplantes, que vai fazer o trabalho completo, de busca, retirada e transplante de órgãos. A população vai encarar com mais seriedade esse serviço. Os voluntários da Cepot - afirma - podem continuar o trabalho de educação da comunidade, com palestras, visitas a escolas e campanhas.
O secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, afirma que as novas centrais regionais de transplante no Estado - em Londrina e Maringá - vão proporcionar um serviço mais próximo e eficaz aos municípios do interior. Este é o início de uma rede de transplante no Paraná. A Central é a garantia de que os transplantes serão feitos dentro da ética e da lei. O principal resultado é a transparência.
Raggio diz ainda que a população é receptiva aos transplantes, dependendo da forma como é abordada. A lei federal, que transforma toda pessoa em doador presumido, facilita mas não garante a doação. A família continua sendo consultada. Por isso é importante o trabalho educacional.


