UTI neonatal é desativada no Norte Pioneiro
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segunda-feira, 04 de junho de 2012
Michelle Aligleri <br>Reportagem Local 
Os municípios do Norte Pioneiro começaram a semana sem leitos de UTI neonatal. O único serviço que estava disponível às cidades foi fechado na última sexta-feira. Os oito leitos da UTI do Hospital Nossa Senhora da Saúde, de Santo Antônio da Platina, estão desativados devido ao alto custo de manutenção. De acordo com o administrador do hospital, Francisco Edno da Silva, nos últimos 90 dias o hospital acumulou uma dívida de R$ 600 mil.
Alguns dos equipamentos da UTI neonatal foram comprados pelo mantenedor do hospital com recursos de promoções, como leilões e jantares realizados com apoio da comunidade, mas o custo para mantê-los funcionando ultrapassa as condições da instituição. O administrador afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) repassa R$ 476,92 por dia por criança atendida, mas o custo real ultrapassa R$ 1 mil. ''Só a hora do plantão do médico é de R$ 60 e eu preciso de médico 24 horas. Independentemente se tenha uma ou oito crianças sendo atendidas, o custo do médico é o mesmo'', justificou. Segundo ele, o hospital não recebe ajuda de custo do Estado e tenta o benefício desde 2009, quando o serviço começou a ser prestado.
O administrador do hospital disse que o deficit gerado pela UTI neonatal chega a R$ 100 mil por mês. Segundo ele, a situação foi se acumulando com os anos e ficou insustentável. ''Chegou ao ponto que tivemos de decidir, ou fechava a UTI neonatal ou fechava o hospital''. Silva informou que nesta semana fará reuniões com os fornecedores para estudar de que forma as dívidas serão pagas. ''Estamos fechando a UTI neonatal por falta de recursos financeiros, mas queremos saldar todas as dívidas''. Seis dos oito médicos que compunham a equipe da UTI neonatal já saíram do hospital, que existe há 67 anos.
Para a médica pediatra Carla Abreu, a situação é de preocupação. ''A UTI neonatal mais próxima fica em Londrina, que é longe e não tem condições de atender todos os bebês desta região''. Segundo ela, os oito bebês que estavam sendo atendidos nos leitos foram transferidos para hospitais de Londrina e Ivaiporã. ''Um dos bebês foi para Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba). A mãe ficou desesperada porque é muito longe'', lamentou.
A transferência do último bebê só foi possível na manhã de ontem (domingo), quando abriu mais uma vaga em Campo Largo. ''Com a saída dessa criança, a UTI fechou as portas definitivamente. Estávamos há uma semana tentando vaga para esse bebê. O que vai ser das famílias que precisarem do serviço?'', questionou. A UTI neonatal funcionava há três anos e já atendeu cerca de 300 bebês.


