A situação do atendimento emergencial a recém-nascidos prestados pelos hospitais de Londrina é tão grave quanto a situação dos pacientes que precisam desse tipo de tratamento. Sem leitos suficientes de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), os hospitais Universitário (HU) e Evangélico (HE) enfrentam problemas de superlotação. A superintendência da Irmandade da Santa Casa, que administra o Hospital Infantil outro que dispõe de leitos de UTI Neonatal , informou ontem que também corre o risco de interromper o atendimento.
A Santa Casa também enfrenta problemas no setor de pediatria. Desde o dia 1º de agosto não existe plantão em cirurgia pediátrica e os casos de urgência e emergência estão sendo encaminhados para outros hospitais por causa do cancelamento de um convênio mantido com a secretaria municipal de Saúde.
O superintendente do HU, Francisco Eugênio Souza, confirmou a superlotação da UTI Neonatal do hospital e disse que não há previsão para a retomada das atividades normais. Segundo ele, as 17 vagas de UTI e de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) estão ocupadas atualmente por 24 crianças. A superlotação, por sinal, foi apontada como um problema frequente a ser enfrentado.
No Hospital Evangélico, as 18 vagas de berçário e UTI estão sendo ocupadas por 21 crianças. ''Já estávamos trabalhando no limite há duas semanas e com o problema do HU, evidenciado ontem (anteontem), a crise aqui tende a se agravar'', afirmou a responsável pela UTI Neonatal e Pediátrica do Evangélico, Ana Paula Tefilli. Segundo a médica, a direção do hospital não cogita a suspensão do atendimento, mas admite que a prestação de serviços está comprometida. ''Não temos mão-de-obra qualificada em quantidade suficiente e isso pode ter como consequência uma série de erros'', teme Ana Paula.
O diretor-superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, antecipou que, na próxima semana, fará uma reunião interna para, ''dentro de os recursos que a instituição recebe'', buscar uma solução para evitar a paralisação da UTI Neonatal do Hospital Infantil. Por outro lado, observou que o Infantil tem oito novos leitos parados há dois meses por falta de credenciamento. Cada leito custou R$ 100 mil reais mas, para serem colocados em funcionamento, dependem de recursos extras.
Na Santa Casa, o atendimento de pediatria também passa por dificuldades. Em consequência do cancelamento, no último mês, de um convênio que havia desde 1996 com a secretaria municipal de Saúde, a instituição deixou de receber uma verba de R$ 60 mil, que garantia o funcionamento do plantão, cirurgia e UTI pediátrica. ''Em consequência desse cancelamento, os nossos plantonistas de pediatria não tiveram condição de dar continuidade ao trabalho'', apontou, completando que as urgências e emergências estão sendo direcionadas para outros hospitais.
Os neurocirurgiões da Santa Casa, Hospital Infantil e Mater dei também estão sem atender os casos de urgência e emergência desde o dia 8 de junho. Eles pedem reajuste da tabela de remuneração das consultas o Sistema Único de Saúde paga R$ 7,55 enquanto os convênios pagam R$ 42 e querem receber plantões à distância. ''Esses profissionais querem receber plantão à distância de R$ 360, mas o hospital não tem condições de pagar'', apontou.
O superintendente destacou que está mantendo contato com a secretaria municipal de Saúde e, até a próxima semana, pode chegar a um acordo tanto com os neurocirurgiões como com os cirurgiões-gerais, que também exigem melhorias na remuneração mas, por enquanto, continuam trabalhando.

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