UTFPR deve criar curso de Engenharia Mecânica neste ano
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de março de 2013
Danilo Marconi<br>Reportagem Local 
A criação do curso de Engenharia Mecânica no campus de Londrina da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) entrou na reta final. O governo do Estado oficializou nesta semana doação de um terreno para ampliação das instalações. A instituição de ensino pretende anunciar nos próximos dias a abertura do curso, cujas aulas devem começar já no segundo semestre deste ano.
O entrave para a abertura do curso estava no Orçamento da União, que foi aprovado somente na semana passada no Congresso Nacional. O Ministério da Educação (MEC) dependia da peça orçamentária para liberar investimentos para as diferentes instituições de ensino superior do País. O MEC informou, por meio de nota, que serão contratados neste ano 237 professores para a UTFPR.
Parte dos docentes será destinada para o campus de Londrina. "Estamos trabalhando com estimativa de 80 professores e 39 servidores técnico-administrativos", informou o diretor-geral da UTFPR Londrina, Marcos Imamura.
A UTFPR, cujo campus está localizado na Estrada dos Pioneiros (zona Leste), recebeu mês passado autorização para abrir três cursos de graduação em Engenharia: Mecânica, Química e de Produção. O Estado repassou, por meio de convênio, R$ 3,6 milhões para a instituição ampliar a área do campus em 37 mil metros quadrados. No espaço serão construídos três blocos com salas de aula e laboratórios.
"Queremos que os cursos de Engenharia, sejam nas universidades estaduais ou federais, ofertados para a sociedade paranaense, sejam de boa qualidade. Falamos da viabilização dos cursos e fazemos questão de estar acompanhando esse processo", disse o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alípio Leal.
"Nossa intenção é abrir um curso a cada semestre, inicialmente com Engenharia (Mecânica) e depois com os demais. Tempo suficiente para que sejam liberadas as verbas e construídos os blocos no campus", explicou o reitor da UTFPR, Carlos Eduardo Cantarelli.
Desenvolvimento e empresas
A abertura dos cursos de Engenharia foi amplamente debatida há dois anos. A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) cobrava novos investimentos do governo na região, dentre eles a ampliação do número de vagas em Engenharia a entidade contou com apoio da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec), entre outras entidades. A reivindicação se sustentava no pilar do desenvolvimento, ciência e atração de empresas para a região.
Estudos que embasaram o pedido mostram que países em desenvolvimento realizaram investimento pesado em ciência e tecnologia para avançarem economicamente. A Coreia do Sul passou a formar 80 mil engenheiros por ano e a China, 400 mil profissionais.
O Brasil está bem para trás neste quesito. No País, 30 mil engenheiros chegam ao mercado de trabalho por ano. "Se nós quisermos nos desenvolver temos que criar engenheiros, criarmos condições para que a base estudantil possa acessar esses cursos e, principalmente, que sejam ofertados na rede pública", afirmou o diretor acadêmico da Adetec, Ivan Frederico Lupiano Dias.
"Há uma demanda crescente por profissionais, ainda mais pelo aquecimento do mercado os profissionais têm sido muito requisitados", explicitou o gerente regional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), Edgar Tsuzuki.
O hiato histórico criou uma divisão no mercado formal de engenheiros. Dados do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge) mostram que Curitiba concentra a maioria dos profissionais: 51,3%. Se somadas as cidades que compõem a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), esse índice sobe para 68,5%, enquanto Londrina representa apenas 3,9%.
"Esses profissionais estão aqui para atender a macrorregião de Londrina. Esse vazio todo tem que ser preenchido. A demanda hoje é grande, temos dados informais que indicam que essa demanda só vai se estabilizar nos próximos cinco anos", afirmou a presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Maria Clarice Rabelo Moreno.
Seis instituições de ensino superior ofertam hoje 15 cursos de graduação em Engenharia na cidade - são nove áreas. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) a UTFPR ofertam os únicos cursos públicos, nas áreas de Civil, Elétrica, Ambiental e de Materiais.


