Muitos consumidores, em Londrina, têm se mostrado preocupados com as constantes denúncias sobre remédios falsificados. A farmacêutica Tânia Maria Bozelli Balbinotti, conselheira do Conselho de Farmácia do Paraná, diz que o número de pessoas que procuram se informar sobre como proceder ao comprar um medicamento tem aumentado. ‘‘Elas questionam mais ao comprar um medicamento e algumas ligam para saber se determinado remédio que adquiriram pode ser falso ou não’’, conta Tânia.
Mário CésarA professoraTereza Lemes: insegurançaA farmacêutica reconhece que o problema da falta de controle de medicamentos no Brasil é sério e é antigo. As últimas denúncias feitas pela imprensa apenas chamaram a atenção da população para um problema que já existia. ‘‘A questão é que no Brasil, a área de medicamento ainda é uma bagunça. Não existe, por exemplo, nem mesmo um levantamento das reações que determinados remédios provocam. O que ajudaria a manter um controle maior da situação’’, explica.
Tânia acredita que as novas medidas tomadas pelo Ministério da Saúde, incluindo o uso do selo holográfico como garantia para os remédios autênticos, poderão ajudar significativamente nesse controle, dando mais segurança às farmácias e aos consumidores. Por enquanto, o ideal é que as pessoas procurem comprar seus medicamentos apenas em farmácias idôneas. ‘‘As modificações nas embalagens devem ser averiguadas. Aqui, na nossa farmácia, quando há esse problema estamos contatando diretamente os fabricantes’’, afirma.
A farmacêutica aconselha também aos consumidores que procurem analisar os rótulos com cuidado. Nos falsificados, eles se apresentam meio apagados.‘‘É importante checar também os números que revelam o lote e o prazo de validade. Eles não devem conter rasuras. Se o consumidor ainda tiver dúvida, deve conferir a autenticidade da medicação junto a um farmacêutico de confiança ou ao seu médico’’.
Mário CésarO bancárioRui de Souza: orientação médicaDo mesmo modo, ao tomar um medicamento, o indivíduo deve prestar atenção às reações. ‘‘Se ele sentir que o remédio não está fazendo efeito ou que houve alguma alteração, o consumidor deve contatar o médico ou encaminhar-se diretamente à Vigilância Sanitária, para averiguar o fato’’.
Comprar um remédio falso é privar-se do controle de uma determinada dor ou doença e, em alguns casos, até mesmo da chance de cura. Para a professora aposentada Tereza Lemes, 61 anos, quem está fazendo isso merece cadeia. Ela se diz insegura e preocupada, principalmente, com a notícia sobre a falsificação do remédio contra câncer.‘‘Já sofri com essa doença. Sei bem o que é isso. E fico pensando nas pessoas que precisam do remédio. Como a gente vai saber que um remédio é falso? Acho muito difícil’’, reclama Tereza.
O bancário Rui Tancredo de Souza, 48 anos, e a esposa Fátima Soares, 29 anos, dona de casa, também se revelam inseguros. Atualmente, eles só compram remédios em farmácias conhecidas. Além disso, prestam atenção nas embalagens, procurando alguma irregularidade. Principalmente Rui, que precisa tomar Gardenal com frequência. ‘‘Quando tenho dúvida, busco orientação de meu médico. No entanto, tudo isso gera um medo muito grande, para comprar qualquer remédio’’.

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