A precariedade da PR-463 está revoltando moradores da região de Paranacity (66 km ao norte de Maringá) que dependem da estrada diariamente para trabalhar e estudar. A PR-463 dá acesso à BR-376, em Nova Esperança (35 km a noroeste de Maringá) e no sentido contrário serve como a acesso a Presidente Prudente (SP). Entre Nova Esperança e Paranacity são 31 quilômetros praticamente intransitáveis.
Os motoristas são obrigados a transitar pelo acostamento porque o asfalto está deteriorado. Os ‘‘desvios’’ acabam pondo em risco a vida dos moradores das localidades próximas da estrada, além de estarem se transformando na principal causa de acidentes. O acostamento estreito é margeado por uma valeta para escoamento da água pluvial, que para piorar a situação, está encoberta pelo mato. Quem não conhece o trecho está sujeito inclusive a capotamentos.
A imprudência de motoristas que preferem arriscar a vida a diminuir a velocidade também ajuda a provocar acidentes. Em um trecho de dois quilômetros, próximo ao trevo da BR-376, a estrada tem um desnível de quase um palmo dividindo as duas pistas.
O mecânico Rudeval Souza Ribeiro, de Paranacity, conta que a oficina ‘‘sobrevive’’ por causa da estrada. Todos os dias aparecem carros com rodas tortas, amortecedores arrebentados, além de outros defeitos, provocados na estrada. ‘‘Enquanto meu negócio vai bem, vemos pessoas morrendo por causa do descaso do governo com as estradas desta região’’, diz Ribeiro. O filho dele, Edinei Souza Ribeiro, diz que a estrada acaba dando lucro para a oficina.
Segundo o mecânico, a cidade fica ‘‘isolada’’ porque entre Paranacity e Santa Fé, pela PR-461, ou entre Colorado e Nossa Senhora das Graças, pela PR-542, as estradas também estão em estado ‘‘caótico’’. ‘‘Estamos revoltados porque ninguém toma providência e esqueceram que esta região existe’’, ressalta.
Para o escrivão Álvaro Lepre Ribeiro, a situação é pior para quem depende da estrada. ‘‘Meu filho e minha mulher vão todos os dias para Nova Esperança e Paranavaí para estudar’’, diz. O carro dele, um Corsa, utilizado pela mulher, está com o farol quebrado e a frente amassada por causa das pedras soltas no asfalto. ‘‘A van que leva meu filho já teve cinco pneus estourados’’, frisa.
O Departamento de Estrada de Rodagem (DER) informou à Folha que a PR-463 está incluída em um programa de recuperação de estradas estaduais, mas depende da liberação de recursos do Banco Internacional de Desenvolvimento (BID).

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