Usuários reclamam da falta de segurança no Igapó
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quinta-feira, 09 de agosto de 2007
Marco Feltrin<BR>Reportagem Local 
Tarde de domingo, céu claro e temperatura acima dos 30 graus: condições ideais para juntar a família e dar um passeio por Londrina. Um dos lugares mais procurados para lazer na cidade é a barragem do Lago Igapó (Área Central), que todos os domingos reúne gente de todas as idades, seja para ouvir som e bater papo com os amigos, tomar um sorvete com os filhos, ou namorar admirando a paisagem. Mas a falta de segurança está preocupando os frequentadores do principal cartão postal da cidade.
A estudante Vanessa Lopes Gaspar, 27 anos, corre à beira do lago atenta ao movimento de estranhos, sem jóias e relógios, e com o celular escondido para não chamar a atenção. A precaução tem motivo: ela já sofreu uma tentativa de assalto enquanto caminhava nas proximidades da barragem. ''O rapaz veio na minha direção, me abordou, e a única reação que tive na hora foi sair correndo'', conta a estudante, que depois do episódio, ocorrido por volta das 18h30, nunca mais frequentou o local durante a noite. ''Quando vejo que começa a escurecer, vou embora para não correr risco''.
A principal reclamação dos frequentadores do lago é a falta de policiais para fazer a segurança. Enquanto a reportagem da FOLHA esteve no local, não foi encontrado nenhum policial ou viatura. O auxiliar de farmácia Diogo Tirolli, de 23 anos, afirma que já se sentiu muito mais seguro ao passear pelo Igapó. ''Antes, os policiais ficavam circulando por aqui, e isso fazia a gente sentir maior tranquilidade. Nunca fui vítima, mas já ouvi falar de muitas pessoas que foram assaltadas por aqui'', garante.
A dona-de-casa Alessandra Forasteiro, de 26 anos, é mais uma frequentadora a reclamar da falta de policiais no Igapó. Mas ela indica outros fatores que também colaboram para a sensação de insegurança. ''Faz certo tempo que estou aqui e ainda não vi nenhum policial. Além disso começa a escurecer e não tem iluminação, sem falar desse povo que fica bebendo aqui e pode arrumar confusão'', enumera a dona-de-casa, apontando para os jovens que consomem bebida alcóolica enquanto ouvem música com o porta-malas do carro aberto.
A família da auxiliar de escritório Kelly Fabiana dos Santos, de 22 anos, ''bate cartão'' nas tardes de domingo na beira do lago, improvisando até um piquenique. Apesar do local ser o escolhido para lazer da família, Fabiana teme que a falta de policiais faça a diferença durante uma possível confusão no local. ''Não tem segurança nenhuma. Se tiver um tumulto e de repente sair um tiro, tem que sair correndo, porque não tem ninguém aqui para proteger'', protesta a auxiliar de escritório, que nunca presenciou crimes no local. ''Já vi alguns afogamentos, mas assalto não''.
Apesar de também não ter visto nenhuma ocorrência nas margens do Igapó, o técnico em telefonia Carlos Alberto Ribeiro tenta se prevenir de assaltos, evitando deixar o celular e a carteira à vista. No entanto, ele diz que todo mundo que frequenta o local está sujeito a ser vítima, independente dos cuidados que tome.
''Em lugares com maior movimento é mais fácil de ser assaltado. Não tem como prevenir, porque pode acontecer com qualquer um''. Questionado sobre a presença da polícia, Carlos afirma que o lago Igapó não é o único da cidade que precisa de maior efetivo. ''Quanto mais policiais, melhor. É importante se sentir seguro em todo lugar''.
O porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, afirmou que todos os finais de semana equipes da PM circulam pelo local, e prometeu averiguar o motivo da ausência dos policiais no local durante o período em que a reportagem da FOLHA esteve lá. Segundo ele, não são registrados crimes graves no local, e mesmo o número de furtos é reduzido.
''Se fosse uma área de alto risco, certamente teria um efetivo maior. Mas são poucas ocorrências'', garante o tenente, que dá dicas de segurança aos frequentadores do Igapó. ''Tem que cumprir as regras básicas de segurança, como não usar jóias em excesso e evitar objetos que chamem a atenção. Também tem muita gente que deixa o carro aberto e se distrai, vai para longe, e acaba se tornando uma vítima potencial''.


