O quarto dia de protestos contra o aumento da tarifa de ônibus de R$ 1,90 para R$ 2 mostrou que na queda de braço entre a administração municipal e o Movimento pelo Passe Livre quem está sofrendo as consequências na pele são os usuários do sistema. Os manifestantes repetiram ontem a estratégia de percorrer ruas da Área Central de Londrina e foram acompanhados de perto pela Polícia Militar (PM).
O Terminal Central ficou fechado e os passageiros tiveram de embarcar em pontos nos arredores. A queixa contra a falta de orientação foi geral. Moradoras do Conjunto Guilherme Pires (Zona Leste), Luciana Silva, 42 anos, e Josiane Souza, 32, seriam obrigadas a caminhar três quadras para tomar o ônibus de volta para casa. Como estavam com crianças de colo, ligaram para familiares para conseguir uma carona. ''Todo mundo sabe que a manifestação é nesse horário. Deveriam ter organizado um jeito pra gente descer perto do outro ônibus. Caminhar tudo isso não dá'', cobrou Luciana.
A caminhada do aposentado José João da Silva, 87, foi ainda maior. Ele teve que andar até o ponto do Supermercado Condor para embarcar com destino à Zona Norte. ''Eu achava que ia pegar o ônibus aqui'', reclamou.
O capitão Roberto de Moura Rocha, da PM, tentou conversar com integrantes do movimento para escoltar a passeata, mas a proposta foi rejeitada.
As procuradorias jurídicas da prefeitura e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) analisam a possibilidade de ajuizar alguma medida judicial contra as manifestações. ''Pedi à assessoria jurídica da prefeitura que analisasse a possibilidade de entrar com alguma medida em que a Justiça pudesse se manifestar a respeito da legalidade da manifestação. Foi anunciado originalmente que seriam três dias de manifestação, mas agora disseram que não vão parar'', disse o presidente da companhia, Gabriel Ribeiro de Campos. ''Nós os respeitamos, mas entendemos que eles não respeitaram o cidadão, que fica impedido de utilizar o terminal.''
Ainda de acordo com Campos, o secretário-executivo o Metrolon, Gildalmo de Mendonça, anunciou que as empresas também irão recorrer à Justiça contra as manifestações. A reportagem tentou entrar em contato com Mendonça, mas não obteve sucesso. A integrante do movimento, Soraia de Carvalho, 24, disse que o grupo estava ''tranquilo porque não está cometendo nenhuma ilegalidade. (Colaborou Cristiane Oya)

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