Quem passou em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Leonor (Zona Oeste de Londrina), se surpreendeu com um protesto dos moradores da região. Munidos de faixas e acompanhados de um caminhão de som, o grupo de pelo menos 200 manifestantes reclamou da falta de médicos, remédios, e também da demora no atendimento.
''Não faz muito tempo, cheguei no início da tarde e só fui atendido à noite'', lembrou o estudante Eduardo Ribeiro. Dados da Diretoria de Ações da Saúde (DAS) da prefeitura apontam que em média 600 pessoas passam pela UBS todos os dias. A unidade com cinco funcionários na administração, sete enfermeiros, 32 auxiliares de enfermagem, um clínico geral, 18 plantonistas e, com as alterações no quadro pediátrico, passará atender com apenas um profissional na área infantil.
Estimativas da própria DAS apontam que para o atendimento ser feito de maneira adequada o número de auxiliares de enfermagem e plantonistas precisaria ser dobrado.
O padre Jaime Alonso, da Paróquia Sã José Operário, um dos organizadores do protesto, afirma que a UBS que já foi referência tem piorado nos últimos anos.
''A unidade está sem pediatra e o que já está precário vai ficar ainda pior'', afirmou, explicando que dos seis profissionais que atendiam na unidade, cinco foram remanejados para o Pronto Atendimento Infantil (PAI).
''Minha filha tem bronquite, preciso do auxílio de um pediatra e agora que não terá mais aqui, não sei o que fazer'', reclamou Daniele Cristina Barbosa, mãe de Heloísa e Raíssa, de dois e seis anos, respectivamente. Para ela, o encaminhamento para outras unidades não resolveria o problema. ''Precisarei encontrar meios de ir até uma outra unidade, sem contar que quando você chega lá e enfrenta problemas semelhantes.''
Para o padre, a manutenção da ala pediátrica, melhoria na infra-estrutura, retorno dos médicos do Programa Saúde da Família (PSF) para atendimento domiciliar, revisão no salários dos profissionais e contratação de mais funcionários são algumas das medidas que precisam ser tomadas imediatamente. Segundo ele, se a Secretaria de Saúde não tomar providências, novos protestos devem acontecer. ''O problema não está só aqui no Leonor, mas em toda a saúde da cidade'', apontou.

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