Especial para Folha
O maior problema enfrentado pelas bibliotecas de Curitiba é a falta de consciência dos usuários, que riscam, recortam e fazem anotações nos livros, arrancam páginas, destroem as capas dos volumes, entre muitos outros estragos registrados diariamente. Na Biblioteca Pública do Paraná a média de volumes danificados pelo vandalismo é de 600 por mês. Mais grave do que os números é saber que os grandes responsáveis por estes danos não são as crianças, mas os adultos.
‘‘O vandalismo não é só praticado por crianças. Menos de 5% dos livros que vão para o setor de reparação da bibioteca são infantis’’, cita a responsável pelo Setor de Preservação da Biblioteca Pública, Maria Salete Perito de Bem. Prova de que os adultos são responsáveis pelos danos aos livros são as bibiotecas da Universidade Federal do Paraná. Apesar de frequentadas praticamente apenas pela comunidade universitária - entre estudantes, funcionários e professores - também é grande o número de livros danificados nas 14 bibliotecas da instituição.
Os responsáveis pela Biblioteca Pública, pelas bibiotecas da Universidade Federal e pelas bibliotecas dos Faróis do Saber não têm como precisar o custo com a manutenção dos livros, mas sabe-se que os gastos só não são maiores porque o conserto é feito por funcionários deste órgãos mesmo. Os problemas mais frequentes são capa de livro retirada, páginas rasgadas ou arrancadas, ilustrações recortadas, danos à capa dos livros expostos em fotocópias. Além disso, as bibliotecas convivem com o roubo de livros.
Estes problemas, entretanto, são enfrentados com otimismo pelas bibliotecas, que vêem no grande número de usuários seu maior trunfo. O policial militar Claudimar Soares da Silveira, 25 anos, casado e pai de um filho, é um bom exemplo de usuário que frequenta sempre a biblioteca. Na fila, para emprestar um livro de inglês e um de literatura, ele conta que normalmente tem um volume emprestado em casa. ‘‘Pego livros para me entreter e para me aprimorar’’, diz. Em outra sala os estudantes Marcelo José de Souza e Michelle Horst, dividem uma mesa em suas pesquisas sobre história oriental e pré-modernismo, respectivamente. ‘‘De duas a três vezes por semana eu venho à biblioteca’’, diz Michelle. O ator e produtor teatral Tadeu Peronne, que pesquisa a vida de Gil Vicente para uma peça de teatro também é frequentador assíduo. ‘‘O ambiente é agradável, as pessoas são atenciosas. É bom, vir aqui’’.

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