Consumidores londrinenses estão assustados com o aumento das contas de água na cidade. Em alguns casos, o valor da tarifa chega a dobrar de um mês para o outro, o que deixa famílias sem muitos recursos em situações dramáticas. A desempregada Rosimeire Calazans, moradora do Jardim Novo Perobal (zona sul), não paga a conta de água desde outubro.
''Ninguém em casa está empregado. Meu filho foi o último a deixar de ter trabalho, em outubro. Meu marido de vez em quando faz uns bicos, e é só'', explica. Ela conta que, nos últimos meses, suas contas na Sanepar extravasaram a média da taxa mínima, em torno de R$ 25, para chegarem a R$ 30 e R$ 40. ''A conta mais alta que veio foi de uns R$ 70. E isso não se justifica, pois faço trabalho comunitário o dia inteiro, e, das três pessoas que moram comigo eu, meu filho e meu marido , ninguém fica em casa o dia inteiro. Por que a conta aumenta, então?'', questiona.
A mãe de Rosimeire, Antônia Alves Calazans, mora numa casa nos fundos da residência da filha. Ela conta que ''esqueceu'' a última vez em que pagou a conta de água. ''Não dá pra pagar. Estou sem emprego, e meu marido ganha pouco mais que um salário mínimo como garçom. Minha última conta foi de R$ 117. Vou gastar metade da renda da minha casa só com água?'', critica.
Moradora do Jardim Cristal, também na zona sul, Lourdes Ana da Silva vive drama parecido. Ela trabalha como voluntária da Biblioteca Virtual, no Jardim Perobal, serviço pelo qual ganha um salário mínimo por mês. O marido, mototaxista, tem rendimento ainda menor. ''Minhas três últimas contas foram, respectivamente, de R$ 60, R$ 80 e R$ 111. Há pouco tempo, eu pagava apenas uns R$ 20 por mês. Não entendo esse aumento. Vivo numa casa simples, com apenas um quarto, sala e cozinha. Moro com meu marido, uma filha de 14 anos e um menino de 4'', conta Lourdes.
Em dezembro, ela teve que ir à Sanepar pedir uma renegociação dos pagamentos - não havia pago os dez últimos talões. ''Tive que tirar dinheiro de onde não podia, gastando menos com outras coisas essenciais, para dar uma entrada de R$ 216. Por trinta meses, vou pagar parcelas fixas de R$ 19'', explica a voluntária. Lourdes foi forçada a negociar porque a água de sua casa foi cortada por oito dias, o que ainda não aconteceu com Rosimeire e Antônia. As tarifas de outubro, novembro e dezembro não foram pagas.

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