Usuários preferem buscar ajuda em hospital
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sexta-feira, 23 de julho de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
''Se a minha filha está vomitando muito e sei que é urgente procuro direto o hospital'', disse a funcionária de uma confecção Roseli Valenga Kops, de 39 anos. Ela mora no Jardim Campos Verde, na Zona Norte de Londrina, e justificou a atitude dizendo que consultas na Unidade Básica de Sa© úde (UBS) do Maria Cecília, o mais próximo da casa dela, podem demorar muito.
A exemplo de Roseli, em caso de dúvida quanto à presença de médicos nas (UBS), há sempre os que recorrem aos hospitais. Este é um dos motivos de superlotação nos hospitais que estão, frequentemente, com os Pronto-Socorros (PS) fechados. Segundo o diretor administrativo do Hospital da Zona Norte (HZN), Antônio José Santiago, cerca de 70% dos atendimentos do PS poderiam ser resolvidos nas unidades. A reportagem da Folha percorreu alguns postos de saúde e conversou com usuários.
''Meu marido vomitou a noite toda por isso vim aqui, se ele passar mal de novo já está no hospital'', disse a atendente Valéria Alves Ferreira, 22 anos. Anteontem pela manhã, ela levou o marido para o PS do HZN, que era mais perto da casa dela, no Jardim Marieta. A atendente alegou que no posto de saúde, normalmente, a espera é muito grande. ''Às vezes a gente chega de manhã e tem que voltar à tarde para ser consultado'', relatou Valéria.
Já a dona-de-casa Helena Gonçalves da Silva, 40 anos, optou pelo PS do Hospital Universitário (HU), pois acredita que lá há mais recursos e equipamentos. ''Todos sabem que nos hospitais há exames de raio-x e medicamentos'', confirmou o diretor do HZN. Na sua opinião, a população acha que pode resolver tudo no hospital, sem precisar voltar outro dia para exames. ''Fui num posto, mas meu problema não melhorou e agora estou sendo atendida aqui no HU'', explicou Helena, que sofre de infecção urinária.
''Com a demanda indiscriminada, o Pronto-Socorro deixa de atender somente urgências e emergências, para atender até resfriado. E somente quando fecha, nós voltamos a atender casos graves, que seria o correto'', contou Santiago. Durante as lotações, ele disse que os funcionários orientam os pacientes com casos simples a procurarem as UBS.
Segundo Santiago, desde que a nova diretoria do HZN assumiu, há um ano e meio, e constatou esta tendência pela procura indiscriminada dos hospitais, foram promovidos encontros com coordenadores das UBS e representantes de associações da Zona Norte. ''A gente procura trabalhar com a conscientização da população. Pois sabemos que é uma questão muito antiga que não poderemos mudar de uma hora para outra, mas se não fizermos algo a situação tende a piorar'', argumentou. Após refletir sobre a situação, o diretor chegou a questionar se realmente faltam leitos na cidade ou se estão sendo utilizados de forma incorreta.
A assessoria de imprensa do HU informou que, entre os dias 15 e 21 deste mês, o PS do hospital atendeu 82 pessoas no horário das 7 às 8 horas. Destes, segundo a assessoria, 35 foram casos de pessoas que procuraram diretamente o hospital, sem passar por nenhuma UBS. Entre as causas que os levaram a fazê-lo estavam dores de cabeça, dores no ombro, dor abdominal, tontura, ferimento no dedo, perfuração no pé, hérnia ingnal, aborto, criança chorando a noite toda, dor na coxa, dor lombar, diminuição na acuidade auditiva e desmaio.


