Usuários não têm onde descartar lâmpadas fluorescentes usadas
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quarta-feira, 06 de setembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Há aproximadamente um ano, o comerciante Luiz Cláudio Depieri Vicente deixou de jogar no lixo as lâmpadas fluorescentes queimadas retiradas de seu supermercado, preocupado com o perigo representado por elas ao serem quebradas. O problema é que, desde então, as lâmpadas se acumulam nos fundos do prédio. ''Estou colocando aqui porque não sei o que fazer'', explica. A dúvida de Vicente procede. Embora a população brasileira descarte cerca de 80 milhões de lâmpadas anualmente, poucas pessoas sabem que existe legislação ambiental obrigando o fabricante a recebê-las de volta e reciclá-las.
A obrigação está contida em resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que diz que o gerador (fabricante) é responsável pelo recolhimento dos resíduos e sua correta destinação. Cabe aos revendedores e comerciantes, quando necessário, receber e acondicionar os resíduos temporariamente, de forma ambientalmente segura.
Para o engenheiro ambiental Elsone José Delavi, responsável pelo aterro sanitário de Londrina, é preciso estimular a criação de um ciclo: ''Se quem for comprar uma lâmpada nova exigir que o comerciante pegue a velha de volta, o comerciante, por sua vez, vai condicionar a compra do produto ao recebimento das lâmpadas queimadas por parte do fabricante''. Segundo Delavi, atualmente as lâmpadas que são colocadas no lixo doméstico são descartadas no aterro como lixo comum, apesar do risco que representam ao meio ambiente.
As lâmpadas fluorescentes contêm mercúrio metálico, substância tóxica nociva ao ser humano e ao meio ambiente. Ainda que o impacto sobre o meio ambiente causado por uma única lâmpada seja desprezível, o somatório das lâmpadas descartadas anualmente terá efeito sensível sobre os locais onde são dispostas. A contaminação ocorre quando estas lâmpadas são quebradas, liberando seu conteúdo de vapor de mercúrio, que causa intoxicação ao ser aspirado.
Dependendo da temperatura do ambiente, o vapor de mercúrio pode permanecer no ar por muitos dias - até 20 durante o inverno. O aterramento das lâmpadas também é nocivo porque provoca a infiltração do mercúrio no solo, atingindo mananciais e entrando na cadeia alimentar humana.
De acordo com o diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Fábio Reali, a intenção é discutir o problema com a população. ''Precisamos criar um procedimento, definindo os pontos de descarte de materiais como estas lâmpadas, além de regulamentar o assunto em lei'', reconhece. Segundo Reali, a própria prefeitura enfrenta o problema de descarte das lâmpadas fluorescentes.
Poucas empresas hoje no Brasil trabalham com a descontaminação destes materiais. A curitibana Ambiensys Gestão Ambiental desenvolveu uma espécie de tambor capaz de aspirar e triturar a lâmpada antes de tornar os seus componentes reaproveitáveis.


