Usuários não respeitam faixa de interdição
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de março de 2004
Camilla Rigi<br> Reportagem Local 
Ao contrário do que previa inicialmente a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), as obras no Terminal Urbano de Transporte Coletivo (Área Central de Londrina) não começaram ontem. As faixas de interdição colocadas para impedir o acesso de usuários às lojas não tiveram efeito: os comerciantes abriram as portas e os clientes fizeram pequenos malabarismos para fazer as compras. À tarde, nem mesmo a faixa restava no local, que funcionou normalmente.
A interdição foi realizada para a implantação de quatro escadas rolantes e um elevador, que ficarão exatamente onde estão as lojas. Com a recusa dos comerciantes em se retirar do local, a CMTU precisou adiar o início das obras, que só devem começar na segunda-feira. ''Recomendamos que a empresa aumente o prazo para que os comerciantes deixem o local'', explicou o assessor técnico em transporte da CMTU, Marco Antonio Bacarin.
O gerente da lanchonete que funciona no piso térreo do terminal, Paulo Roberto Bueno, disse que a informação que recebeu dos empregados é que a barreira teria sido colocada à meia-noite de ontem. ''Nós vamos trabalhar do mesmo jeito, porque o movimento continua'', afirmou.
Em meio ao impasse, a população permanecia dividida. ''Se vai melhorar com a escada é bom que retire logo de uma vez eles (lojistas) daqui'', opinou o profissional da reciclagem Amélio Jorge Zamarin, de 65 anos. Já o artesão Roberto Rodrigues de Morais, de 45 anos, disse ser contra qualquer medida que resulte em desemprego. Para o segurança Marcos Rogério Martins, que retirou uma das faixas para poder chegar até a lanchonete, se a prefeitura tivesse garantido que os funcionários do local não perderiam o emprego, ele não teria sido contra às obras.
Baccarin declarou ontem que o departamento jurídico da CMTU vai pedir a reintegração de posse dos boxes na Justiça. ''Eles sabiam desde o início do governo Nedson (Micheleti) que havia a pretensão de reformar o terminal. Além disso, a permissão deles está vencida há três anos'', adiantou.
De acordo com a assessoria de imprensa da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) responsável pela contratação da empresa que realizará a reforma a CMTU ainda não repassou a planta do prédio para que sejam identificadas as áreas de implantação das escadas e do elevador. E, sem isso, a TCGL não pode comprar os equipamentos e iniciar a obra. O assessor técnico da CMTU afirmou que as plantas já foram entregues para a TCGL, mas não soube informar quando isso aconteceu.
A obra terá custo de R$ 1,1 milhão. A secretaria municipal de Obras vai fiscalizar o trabalho dos operários para que os usuários não sejam prejudicados. A previsão de conclusão é de seis meses, contados a partir do dia 19 de janeiro. Ao todo, o Terminal Urbano tem 10 boxes, destinados a lanchonetes, banca de revistas, lotérica, loja de doces e bazar. (Colaborou Fernanda Bressan)


