Em pleno verão, os frequentadores do Zerão precisam fechar os olhos, e às vezes o nariz, para passear e praticar atividades físicas no local. O parque, que ainda é o ponto de lazer mais procurado de Londrina, parece abandonado. A escadaria e as arquibancadas do anfiteatro desfazem-se a olhos vistos; o próprio anfiteatro vive sujo e fedido; mato alto, falta de iluminação e segurança precária completam o panorama desolador de uma das áreas favoritas do londrinense.
''Há muito tempo eu não vinha aqui. Acho perigoso andar sozinha, mesmo durante o dia'', reclamou a vendedora Alessandra Rodrigues, que aproveitava o horário do almoço para caminhar com a amiga Juliana Regina Rodrigues. A bibliotecária Fernanda Quinteiro é vizinha do parque e costuma exercitar-se no local pelo menos três vezes por semana. Na opinião dela, o estado do Zerão piorou nos últimos dez anos. Ela evita frequentá-lo desacompanhada por temer assaltos e abordagens obscenas.
Segundo Fábio Reali, diretor de operações da CMTU, a varrição é diária e a capina ou roçagem ocorre sempre que necessário. ''Estes serviços foram terceirizados pela prefeitura e são avaliados quinzenalmente por nossos fiscais. O maior problema, na verdade, é o vandalismo que destrói lixeiras, placas e luminárias. Por isso, a manutenção é mais exigida'', explicou.
Há dez meses, inspetores do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) estiveram no local e alertaram a prefeitura sobre os riscos que o anfiteatro oferece à população. Conforme Israel de Moraes, supervisor da subseção londrinense, a entidade não pode multar nem obrigar o município a realizar uma obra, mas pode oferecer denúncia ao Ministério Público. Seguindo o conselho dos especialistas, a Secretaria Municipal de Obras licitou um laudo do Zerão, que foi entregue ao Departamento de Obras Públicas, no final de 2007. ''Desconheço o teor da análise. Vamos esperar o secretário Aloysio retornar das férias para solicitar um orçamento e a posterior licitação da reforma'', informou o diretor de loteamentos Ossamu Kaminagakura, secretário interino até o próximo dia 26.
Quanto à segurança, o tenente Adauto Giraldes de Almeida, responsável pelo patrulhamento do Zerão e arredores, acredita que o temor da população é exagerado. Segundo ele, um motociclista e dois cavaleiros cuidam do local o dia inteiro, além das viaturas que circulam pela área. ''As pessoas queixam-se porque não vêem os policiais a todo momento. Mas basta chamá-los para confirmar sua presença'', garantiu. ''Ultimamente, o Zerão registra ocorrências simples como, por exemplo, pequenos furtos e perturbação do sossego'', acrescentou.

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